Um alerta global para zoonoses e segurança do alimento  

//Um alerta global para zoonoses e segurança do alimento  
De acordo artigo de Marcos Sawaya Jank, professor de agronegócio global do Insper, e titular da Cátedra Luiz de Queiroz da ESALQ-USP, publicado no jornal O Estado de S.Paulo nesta sexta-feira (24), a forte relação entre zoonoses, sanidade animal e segurança do alimento será um dos principais temas a serem revistos no mundo pós-covid-19. Zoonoses são doenças causadas por patógenos que contaminam animais, podendo ou não “pular” entre espécies e infectar seres humanos. Exemplos recentes são influenzas, HIV, ebola, Sars e Mers. O coronavírus é só mais um que atinge humanos. E não será o último. As primeiras pessoas infectadas pelo coronavírus frequentaram o mesmo mercado de produtos frescos e perecíveis em Wuhan, na China. Trata-se de um típico wet market ou “mercado molhado”, nome que se origina do uso frequente de água ou gelo para conservar produtos perecíveis, além da lavagem do recinto com água para escoar sangue e resíduos. A maioria dos wet markets não dispõe de refrigeração adequada, daí o nome “molhado”, em vez de resfriado ou congelado, formas que conservam melhor o produto. Mais da metade da venda de alimentos frescos (frutas, verduras, carnes e pescados) nos países em desenvolvimento é feita em mercados desse tipo, onde o controle sanitário costuma ser bastante frouxo. Muitos deles também oferecem animais domésticos vivos para abate, que ficam presos em gaiolas ou pequenos espaços e são abatidos, eviscerados e cortados no próprio mercado, de acordo com a demanda do cliente. Não raro tais mercados ainda têm uma seção de “animais silvestres e exóticos” que oferta alguns tipos de roedores, macacos, tatus, tartarugas, sapos, morcegos e cobras, vendidos no mesmo modelo dos animais domésticos. Vale lembrar que mais de 800 milhões de pessoas se alimentam de animais silvestres, principalmente na Ásia e na África, a maioria por razões nutricionais e via autoconsumo, sem aglomerações. O problema que estamos tratando é a existência de criação ou caça comercial de animais silvestres, que acabam sendo vendidos nos mercados molhados, elevando o risco de transmissão de zoonoses. Em outras palavras, uma parcela dos wet markets oferta animais domésticos e silvestres (vivos ou convertidos em carnes e subprodutos) no mesmo espaço sujo e comprimido em que circulam centenas de pessoas todos os dias. No período que trabalhei na Ásia visitei vários desses mercados de padrão século 19 (ou antes), encaixados em megacidades, ao lado de prédios moderníssimos de padrão século 21. A sensação era a de andar dentro de uma “bomba biológica” de alta periculosidade. Mas nunca imaginei que ela poderia ser tão avassaladora. Acontece que as cadeias produtivas de alimentos são muito heterogêneas no mundo, seja na propriedade rural, no processamento, na distribuição ou no varejo. Empresas multinacionais que seguem os melhores padrões sanitários globais convivem no mercado com espeluncas que abatem e evisceram animais na frente do consumidor, sem nenhuma fiscalização. Dois pesos e duas medidas na aplicação de leis sanitárias, régua alta para alguns, baixa para outros.

Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) debate propostas para o Plano Agrícola e Pecuário 2020/2021

A Comissão Nacional de Política Agrícola da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) se reuniu nesta quinta-feira (23), por videoconferência, para debater propostas do setor para o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2020/2021. O principal tema levantado na discussão foi a redução da taxa de juros. O vice-presidente da CNA e presidente da Comissão, deputado José Mário Schreiner, afirmou que as taxas praticadas atualmente no crédito rural são muito elevadas e não acompanharam a tendência de queda da Selic e do crédito em outros setores. “A redução da taxa de juros e dos custos acessórios na contratação do crédito será a bandeira do setor agropecuário na discussão do Plano Safra”.  No encontro, o vice-presidente da Comissão e economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Antônio da Luz, apresentou um estudo da CNA que traz os principais números do crédito rural, a variação das taxas de juros de custeio e comercialização e alguns possíveis cenários para 2021. Um dos destaques do estudo é a análise dos custos administrativos e tributários das instituições financeiras. Esses custos são acrescidos à taxa de juros paga pelo produtor rural para remunerar as instituições financeiras. Antônio explicou que a soma da taxa de juros paga pelo produtor e pelo Tesouro Nacional a essas instituições aumentou consideravelmente nos últimos anos. “Quando comparamos os números percebemos que eles não condizem com a realidade do produtor rural brasileiro. Esses dados servem de alerta para mostrar que há um exagero na cobrança dos juros do crédito rural”, destacou. Outro assunto debatido na reunião foi o combate à venda casada na contratação de crédito e outros serviços financeiros. O superintendente técnico da CNA, Bruno Lucchi, reforçou a importância da campanha da entidade “Nada além do que preciso” para proteger os produtores rurais de práticas abusivas de instituições financeiras. “Precisamos orientar cada vez mais os produtores para que eles tenham acesso a todas as informações necessárias sobre seus direitos na contratação de serviços e continuem denunciando essas práticas abusivas”, disse Bruno. A denúncia pode ser feita pelo endereço www.consumidor.gov.br ou pelo telefone 151 (Procon).  Para reclamação anônima, a CNA criou uma plataforma de denúncia. Durante o encontro virtual, a assessora técnica da Comissão Nacional de Política Agrícola da CNA, Fernanda Schwantes, falou sobre a Lei 13.986/2020 (MP do Agro). Ela destacou que “a Lei não revoga os instrumentos e modelos de financiamento rural tradicionais, previstos em leis anteriores e que produtor rural já está acostumado. A nova legislação foi elaborada e aprovada para ampliar o elenco dos mecanismos, ferramentas e alternativas de financiamentos e de garantias à disposição do produtor com objetivo final de obter crédito a um custo cada vez menor”. A assessora técnica também apresentou as ações da CNA para viabilizar a adesão das instituições financeiras às condições de composição de dívidas previstas pela Resolução 4.755 do Conselho Monetário Nacional (CMN).

Porcos explorados para consumo são diagnosticados com febre suína na China

Porcos explorados para consumo humano, transportados para a província chinesa de Sichuan, foram diagnosticados com febre suína africana, conforme anunciou o Ministério da Agricultura da China. O país enfrenta a doença desde agosto de 2018. Milhões de porcos já foram mortos. As informações são do portal Anda desta sexta-feira (24). O caso mais recente foi de porcos que estavam confinados em um caminhão parado para inspeção no condado de Nanjiang, nas proximidades do município de Bazhong. Mais de 100 animais estavam amontoados dentro do veículo – dois deles já mortos. O número de casos da doença registrados pelo Ministério da Agricultura e de Assuntos Rurais caiu para dois por mês no final de 2019. No entanto, desde março, 13 casos foram publicados no site da pasta. Com exceção de um javali contaminado, os demais casos foram registrados em porcos. Essas doenças normalmente surgem por conta das condições em que são mantidos os animais explorados para consumo. Não é diferente do que aconteceu recentemente na China, dando origem ao coronavírus, que se alastrou pelo mundo, e do que pode acontecer no Brasil, graças à agropecuária. O cofundador e presidente de um dos santuários de “animais de fazenda” mais conhecidos do mundo, o Farm Sanctuary, sediado em Nova York, Gene Baur, publicou este mês um artigo no The Hill, baseado em Washington D.C., defendendo que a origem do coronavírus em animais e a disseminação da covid-19 deve nos lembrar o quão inextricavelmente estamos ligados com outras formas de vida na Terra e também como a agropecuária tem contribuído com a disseminação de doenças infecto-contagiosas.

Cães podem sofrer de ansiedade pós quarentena, explica especialista

O excesso de proximidade entre tutores e animais, gerado pela quarentena de combate ao coronavírus, pode levar os cães e gatos a criar uma dependência emocional do tutor, informou o portal Anda nesta sexta-feira (24). Essa dependência, por sua vez, pode desencadear ansiedade extrema ao final do período de isolamento social. O alerta é feito pelo psicólogo animal, Roger Mugford, em entrevista ao jornal britânico The Times. Mugford é conhecido por cuidar dos cachorros tutelados pela Rainha Elizabeth II. “Com sobrecarga de tempo com suas famílias, os cães estão criando um grande excesso de dependência e podem sofrer bastante quando ‘mães e pais’ voltarem ao trabalho e as crianças para escola. A separação pode gerar ansiedade extrema nos milhares de cachorros que estão se acostumando com [a nova rotina dos] seus tutores”, explicou Mugford. Caso desenvolvam ansiedade, os cães podem apresentar comportamentos reprovados pelos tutores, conforme explicou a Sociedade Americana para a Prevenção da Crueldade Contra Animais. Dentre esses comportamentos, estão defecar e urinar em local diferente do habitual, uivar, mastigar e tentar fugir de casa. Ao entrar em pânico, os filhotes podem até mesmo defecar e consumir as próprias fezes, praticando um fenômeno denominado coprofagia. Além de causar sofrimento psicológico ao animal, a ansiedade de separação pode levá-lo a cavar e roer portas ou janelas, o que pode causar lesões, como dentes quebrados e patas dianteiras cortadas ou raspadas, além de unhas danificadas (a depender do nível do dano, pode gerar ferimento nas unhas, com sangramento). Para preservar os animais dessa doença de ordem psicológica, evitar estar ao lado do animal durante o dia inteiro, no período da quarentena, sem ficar abraçando-o e beijando-o com extrema frequência, pode ajudar. O ideal é permitir que ele se distraia com brinquedos e, caso haja, com a companhia de outros animais, ao invés de estar 24 horas grudado no tutor. No entanto, caso mudanças comportamentais sejam notadas no animal quando a rotina da família voltar à normalidade, o recomendado é procurar um médico veterinário para que o cachorro ou gato seja submetido a tratamento.

NA IMPRENSA
O Estado de S.Paulo – Um alerta global para zoonoses e segurança do alimento

O Estado de S.Paulo – Vacina em teste para coronavírus tem bom resultado em macacos, dizem cientistas chineses

Folha de S.Paulo – Veterinário e protetora levam 4.000 kg de alimentos para comunidade em SP

Valor Econômico – BRF pagará US$ 40 milhões para encerrar ação coletiva nos EUA

Valor Econômico – Tyson Foods interrompe operações em unidade de bovinos em Washington

CNA – CNA debate propostas para o Plano Agrícola e Pecuário 2020/2021

AgroLink – Preços dos ovos disparam nos EUA

AgroLink – Produção de galinhas caipiras é boa alternativa de renda para agricultor familiar

AgroLink – Baixa movimentação no mercado do boi gordo

AgroLink – Carne bovina recuou no varejo em São Paulo nesta semana

AgroLink – Frango: pressão de baixa continua no mercado atacadista

AgroLink – Liquidez da carne de frango segue em baixa

AgroLink – Baixa movimentação no mercado do boi gordo

G1 – Produtores rurais de 13 municípios do AM devem realizar a atualização cadastral de animais, diz Adaf

G1 – Polícia apreende armas usadas em caça e devolve mais de 20 animais para à natureza, na Paraíba

G1 – Animal reptiliano desconhecido é encontrado em zona rural na Bahia; bióloga identificou espécie como lagarto-liso

G1 – Animais passeiam no Jardim Botânico durante isolamento social

G1 – Campanha ajuda animais abandonados no Crato

Anda – Cães podem sofrer de ansiedade pós quarentena, explica especialista

Anda – Porcos explorados para consumo são diagnosticados com febre suína na China

Anda – Farra do boi volta a ser registrada em meio à pandemia em Santa Catarina

Anda – Austrália pede que países do G20 acabem com os mercados de vida selvagem

Anda – Covid-19 pode elevar vendas de “carnes vegetais” em R$ 3,2 bi

Canal Rural – Boi gordo: feriado na próxima semana deve sustentar preços, diz Scot

Folha Agrícola – Safeeds mantém trabalho e oferece bônus a colaboradores

Folha Agrícola – Boa nutrição de bezerras é fundamental para obtenção de vacas leiteiras saudáveis e mais produtivas

Acrioeste – Apesar do coronavírus, cadeia produtiva da carne bovina segue em alta

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O Boletim NK, produzido pela NK Consultores Relações Governamentais, é uma compilação das principais notícias publicadas em meios de comunicação do país sobre temas ligados ao setor.

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