Salário não é fator mais importante para levar médicos a áreas remotas, aponta pesquisa

//Salário não é fator mais importante para levar médicos a áreas remotas, aponta pesquisa
 
O aumento de salários não é o principal fator para atrair médicos a regiões mais pobres do Brasil, segundo estudo realizado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps). O levantamento, obtido pelo jornal O Estado de S.Paulo no último sábado (21), mostra que, mais do que dinheiro, o que pesa na decisão são as políticas de ampliação de vagas em escolas de Medicina em regiões desassistidas, além da criação cotas para estudantes que vivem próximos dessas instituições de ensino. Os resultados da pesquisa indicam que os principais fatores por trás da escolha dos médicos são proximidade do local onde eles nasceram ou estudaram. Ainda assim, maiores remunerações e boa infraestrutura também importam, “mas em escala consideravelmente menor”. Conforme as simulações feitas, a maioria das políticas baseadas no aumento de vagas em faculdades ou cotas reduziria até pela metade a desigualdade regional na distribuição de médicos, enquanto a subida do salário derrubaria apenas 13,4% deste indicador. O levantamento indica ainda que criar reserva de vagas em universidades seria uma política com melhor relação custo-benefício. “É uma medida que tem de ser olhada com cautela. Há implicações ao bem-estar da sociedade, mas é um indicativo importante”, afirma a pesquisadora Letícia Nunes. Em programas como Mais Médicos e Médicos Pelo Brasil, o governo federal aposta em salários mais altos para atrair profissionais ao interior do País. Para Nunes, a política lançada no governo Jair Bolsonaro acerta ao tratar da carreira do médico e incentivar a distribuição dos profissionais em regiões desassistidas, mas ainda é preciso pensar na abertura de vagas em escolas de Medicina em cidades pobres. “Seria um incentivo à retenção desses médicos nos locais de nascimento ou de estudo. Não deveria ser visto com tanto pé atrás”, diz a pesquisadora. Dados do Demografia Médica no Brasil 2018, usados pela pesquisa, mostram que as capitais dos Estados mais ricos contam, em média, com cinco médicos por mil habitantes, enquanto a maioria das áreas do interior tem um profissional por mil habitantes. “A situação é ainda mais grave nos Estados do Norte e Nordeste”, informa o levantamento.

Ministério da Saúde recua e proíbe enfermagem de inserir DIU

A colunista Cláudia Collucci, da Folha de S.Paulo, destacou que o Ministério da Saúde revogou a portaria que permitia a atuação dos profissionais da enfermagem na inserção de DIU. Para a colunista, o motivo foi a pressão do Conselho Federal de Medicina, que considera a inserção um ato médico.  Segundo Cláudia Collucci, na maior parte dos países europeus com sistemas universais de saúde, como Reino Unido e França, a enfermagem insere DIU rotineiramente. Vários estudos apontam que o treinamento dos enfermeiros para essa função aumenta muito o acesso das mulheres à contracepção, evitando gravidezes indesejadas. No Brasil, há anos isso ocorre no âmbito da atenção primária, apesar de a autorização formal, que consta em manual técnico dos profissionais de saúde, ser de 2018. “Ao revogar a autorização para que esse procedimento, que por lei é de competência exclusiva dos médicos, o ministério impõe o respeito à hierarquia normativa na assistência. A tentativa de invasão de outros profissionais à medicina tem provocado diversos problemas à saúde dos brasileiros”, afirmou Emanuel Fortes, diretor de fiscalização do CFM. A colunista, no entanto, diz desconhecer estudos na literatura científica que endossem a afirmação. “Eventuais erros ou falhas pontuais podem acontecer. Inclusive com médicos. Conheço pelo menos dois casos de mulheres que tiveram problemas após inserção do DIU em consultórios médicos privados”, reforçou Cláudia Collucci. Em nota, o Ministério da Saúde afirma que “tem se empenhado em avaliar conteúdos, materiais, manuais, entre outros instrumentos e ferramentas de indução e articulação das políticas públicas de saúde, de modo a garantir que disponham da maior atualização possível em relação à literatura tecno-científica, alinhamento com o arcabouço jurídico-normativo brasileiro, e centralidade nas necessidades do cidadão e da população.” O recuo do ministério ocorre duas semanas após a Justiça Federal de Alagoas determinar a proibição de inserção do DIU, por enfermeiros, em pacientes no âmbito da rede pública de saúde. Para o juiz André Carvalho Monteiro, esse procedimento configura atividade exclusiva dos médicos, conforme previsto na Lei nº 12.842/2013 (Lei do Ato Médico). A decisão, tomada no último dia 4 de dezembro, decorreu de ação civil pública movida pelo Conselho Regional de Medicina de Alagoas (Cremal), que relatou a realização de procedimentos desse tipo por enfermeiros nos municípios de Penedo e Arapiraca.

Testes genéticos aumentam capacidade de diagnóstico e prevenção de doenças variadas

Não é futurologia. Saber se há predisposição genética para uma doença, qual a melhor forma de tratar um câncer, verificar se o feto de dez semanas terá alguma síndrome ou descobrir a causa do atraso de desenvolvimento de uma criança já são possibilidades presentes, e devem se tornar cada vez mais disseminadas, informou o jornal O Globo nesta quarta-feira (25). Os testes genéticos — análises feitas em laboratórios que mapeiam o DNA em busca da presença de determinados genes ou de alterações neles— ainda não estão à disposição na rede pública, mas mostram o caminho da medicina diagnóstica. “Isso é medicina do presente. Fazemos testes genômicos há muito tempo, mas melhorou muito a nossa capacidade de diagnóstico”, afirma Mayana Zatz, professora do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo e coordenadora do Centro de Pesquisas sobre o Genoma Humano. Um exemplo da utilidade desse tipo de exame é dado pela médica Cristiane Pinhão. Ela adiou a maternidade por motivos profissionais e, aos 39 anos, quando engravidou, a alegria cedeu lugar ao desespero de que o bebê tivesse algum problema de saúde. “Comecei a me perguntar: será que vai dar tudo certo? Será que vai ter alguma doença, uma má formação? Meu óvulo já tinha 39 anos. Sempre sonhei em ser mãe e sempre tive esse medo. Talvez por ser médica também, a gente vê muita doença e fica preocupada”. Para aplacar essa insegurança, a médica recorreu ao Nipt (sigla em inglês para Teste Pré-Natal Não Invasivo). Ele é feito por meio de amostra de sangue da mãe, ou seja, não é invasivo para o bebê e pode ser feito a partir da 10ª semana de gestação. O teste é capaz de identificar 99,5% dos casos de Síndrome de Down, assim como muitas outras alterações menos frequentes, além de dizer o sexo do bebê. Foi assim que Cristiane descobriu que estava esperando Eduardo, hoje um bebezinho de 55 dias, totalmente saudável, que nasceu depois de uma gestação tranquila. Defensora da disseminação dos testes genéticos no sistema público de saúde, Mayana Zatz afirma que está sendo negociado com a Secretaria da Saúde de São Paulo para que esta banque os exames desse tipo para a população carente. O diagnóstico preventivo, segundo a geneticista, poderia identificar possibilidade de doenças futuras que, uma vez instaladas, acabam custando muito mais ao estado.

Aprovação de medicamentos para doenças raras cresce 90%

A aprovação de medicamentos para doenças raras cresceu no Brasil. De acordo com dados da Anvisa, publicado nesta quinta-feira (26), em 2019 houve o registro de 19 produtos farmacêuticos para essas doenças, o que representou um aumento de 90% em relação a 2018, quando 10 medicamentos foram aprovados. Atualmente, existem milhares de doenças raras no mundo. Elas não têm cura e nem contam com um amplo leque de opções terapêuticas. Daí a importância de agilizar a análise de pedidos de registro de medicamentos. No Brasil, a estimativa é de que 13 milhões de pessoas sejam portadoras dessas enfermidades. O crescimento significativo é atribuído à publicação da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 205/2017, que estabeleceu procedimento especial para a aprovação de ensaios clínicos, boas práticas de fabricação e registro de medicamentos para doenças raras. Embora não seja destinada exclusivamente às doenças raras, a RDC 204/2017 também ajudou a dar maior celeridade ao acesso a novos medicamentos e à realização de pesquisas clínicas, ao estabelecer critérios de priorização de pedidos. Outro resultado positivo alcançado em 2019 foi a redução de prazos para a aprovação de pesquisas clínicas no Brasil. Os dados colhidos até novembro de 2019 mostram uma mediana de 7,4 meses para análise do dossiê de desenvolvimento clínico de medicamentos (DDCM), sendo que em 2018 esse prazo teve mediana de 8,4 meses. A redução do prazo também ocorreu para a análise do dossiê específico de ensaio clínico (DEEC). Neste caso, a mediana em 2019 foi de 3,2 meses, contra quatro meses em 2018. Além disso, 60,3% dos estudos clínicos também tiveram um prazo médio de avaliação de 3,2 meses. De acordo com a Agência, a maioria dos estudos clínicos submetidos foi avaliada em prazo inferior a 90 dias, o que coloca o Brasil em posição competitiva em relação a outros países. Em 2019, a Anvisa trabalhou em duas frentes de trabalho principais para otimizar a análise de pedidos de registro de medicamentos e anuência em pesquisa clínica: harmonização (padronização) de processos e racionalização. Em relação à harmonização, o primeiro grande passo foi a reestruturação da área responsável pelas análises de registro de medicamentos e pesquisa clínica, que é a Gerência Geral de Medicamentos e Produtos Biológicos (GGMED). Os objetivos da mudança foram considerar os avanços ocorridos nos últimos anos em relação aos fluxos da GGMED, corrigir discrepâncias entre as áreas e permitir maior agilidade às atividades desempenhadas. Além da reestruturação, foi aprimorada uma das medidas de maior impacto administrativo na produtividade dos servidores: o Programa de Gestão Orientada para Resultados (PGOR). Esse programa surgiu como uma proposta para aumentar a produtividade dos servidores por meio da flexibilização do registro de presença e a instituição do regime de teletrabalho. Também foram revisados todos os procedimentos operacionais padrão (POPs) da GGMED, com o objetivo de padronizar tempos para execução de atividades comuns às diferentes áreas e, com isso, garantir maior efetividade.

SAÚDE NA IMPRENSA
Folha de S.Paulo – Microbiota pode influenciar doença pulmonar, mostra estudo

Folha de S.Paulo – Ministério da Saúde recua e proíbe enfermagem de inserir DIU

Folha de S.Paulo – A importância do uso consciente de antibióticos

Folha de S.Paulo – Mudança em centro de tratamento da Aids provocou protesto em SP

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O Globo – Avanço da chicungunha se torna mais dramático com crise na saúde

O Globo – Brasileiros mantém despesas com saúde mesmo durante crise econômica, mostra IBGE

O Globo – Ministério da Saúde libera R$ 441 milhões para prefeituras indicadas por deputados

O Globo – Governo extingue 27,6 mil cargos; Ministério da Saúde é o mais afetado

O Globo – Testes genéticos aumentam capacidade de diagnóstico e prevenção de doenças variadas

O Estado de S.Paulo – O preço da reciclagem de laptops: fumaça tóxica nos pulmões da Tailândia

O Estado de S.Paulo – Justiça proíbe prefeitura do Rio de passar dinheiro da Saúde para contas bloqueadas

O Estado de S.Paulo – Na Síria, médicos correm o risco de ser processados e condenados

O Estado de S.Paulo – Salário não é fator mais importante para levar médicos a áreas remotas, aponta pesquisa

Agência Brasil – Brasileiros desenvolvem tecnologia de reconstrução craniana

G1 – Pesquisa aponta que trabalho noturno põe em risco profissionais da área da saúde

Correio Braziliense – Terapia sem medicamentos pode ajudar a aliviar os sintomas da menopausa

Correio Braziliense – Cientistas apontam a importância de preservar os ossos desde a infância

Correio Braziliense – Ciência aponta a importância da socialização na velhice

Anvisa – Aprovação de medicamentos para doenças raras cresce 90%

Anvisa – Participe até 30/12 das CPs sobre dispositivos médicos

ANS – ANS promove 4º encontro de avaliação das propostas de atualização do Rol

ANS – Consulta Pública nº 76: ANS prorroga até 25/01 o prazo para contribuições

Agência Saúde – Ministério da Saúde credencia mais de mil gerentes de unidades de saúde

Agência Saúde – Ministério da Saúde cria linha de cuidados para tratar AVC

Agência Saúde – Serviços odontológicos recebem R$ 2 milhões

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O Boletim NK, produzido pela NK Consultores Relações Governamentais, é uma compilação das principais notícias publicadas em meios de comunicação do país sobre temas ligados ao setor.

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