Quem lucra com remédios de alto custo e pouco benefício?  

//Quem lucra com remédios de alto custo e pouco benefício?  
Os recentes avanços na pesquisa biofarmacêutica, combinados ao uso de inteligência artificial e big data, abrem caminho para novas terapias genéticas e celulares voltadas às doenças raras, antes intratáveis. Mas persistem os dilemas que envolvem o acesso a medicamentos para essas condições. Os problemas não estão restritos ao Brasil. Atingem até países desenvolvidos. Segundo informações da Folha de S.Paulo no sábado (7), pesquisa feita pela Organização Canadense de Doenças Raras mostrou que 78% dos pacientes enfrentam dificuldades de acesso aos tratamentos. Mais da metade (58%) teve pedido negado em razão dos custos. A estimativa é que 1 milhão de canadenses (dois terços deles, crianças) sofram de doenças raras. Vários países, inclusive o Brasil, tentam implantar estratégias de acesso. Um programa na Escócia, por exemplo, fornece acesso antecipado aos pacientes a novos medicamentos por três anos. Enquanto isso, coleta informações sobre a eficácia e, só diante da comprovação, a distribuição passa a ser contínua. Mas há questões anteriores que são pouco discutidas. Uma é o alto preço desses medicamentos chamados de órfãos, criados para tratar doenças que, em tese, proporcionariam pouco retorno sobre o investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) feito por farmacêuticas. A justificativa da indústria é que essas drogas incorrem em custos de P&D semelhantes às voltadas a doenças comuns, mas com menor número de usuários potenciais para garantir o retorno econômico. Contudo, um estudo da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), publicado na Revista de Saúde Pública, questiona esse argumento. Segundo os pesquisadores, a venda de drogas para doenças raras tem se tornado por vezes mais lucrativa que a dos remédios tradicionais devido à concessão de benefícios governamentais, como exclusividade de mercado por períodos mais longos, incentivos fiscais, apoio para pesquisas específicas e aprovação para venda em tempo menor e com critérios menos exigentes. O trabalho também cita o fato de o custo dos ensaios clínicos para medicamentos órfãos ser bastante inferior ao de drogas para outras doenças, porque o número de pacientes envolvidos é necessariamente muito menor. Pequenos estudos clínicos e ausência de tratamentos alternativos colocam esses órfãos em vantagem, quando submetidos a revisões regulatórias. Para o médico Luis Cláudio Correia, especialista em medicina baseada em evidências, não deveria ser assim. “Todo ensaio clínico representa um esforço imenso, a superação de obstáculos, e a doença ser menos frequente é só uma das barreiras superáveis. Considerando a população inteira, o número de pessoas com doenças raras não é baixo. Usualmente, elas estão reunidas em ambulatórios de referência, vistas por médicos superespecializados, entrosados na comunidade científica.” A dificuldade de comprovar boa relação de custo e efetividade é uma razão do entrave na incorporação dos remédios nos sistemas de saúde.

Inteligência artificial ajuda a identificar causas de doenças raras

A Folha de S.Paulo destacou no sábado (7) que, a inteligência artificial é a mais nova aliada da medicina no diagnóstico de doenças raras. Ferramentas que ajudam a analisar um grande volume de dados tornam possível identificar padrões em testes genéticos e permitem o esclarecimento de exames que até pouco tempo atrás eram inconclusivos. Para entender como a tecnologia pode revolucionar o tratamento de pacientes raros, é preciso entender a raiz do problema. Uma pessoa tem aproximadamente 22 mil genes. Em exames, quando o genoma de alguém é comparado a um código de referência, são encontradas cerca de 60 mil variações. Essa diversidade é normal, de acordo com o geneticista Caio Robledo Quaio, do Fleury Medicina e Saúde. Mas, eventualmente, uma dessas variações compromete o funcionamento do organismo, gerando uma doença. A questão é: como identificar, dentre milhares de variações, aquela que deu origem ao problema? É aí que entram as novas ferramentas. “Antes, quando o médico achava que a doença era genética, ele examinava um ponto do DNA do paciente que podia estar relacionado àquele problema”, diz Quaio. Em 2010, veio uma revolução: o sequenciamento de nova geração, que é feito em menos de um mês e permite o estudo de milhões de pontos do DNA ao mesmo tempo. “Isso gera muitos dados, e precisamos da inteligência artificial para avaliar todas as etapas de modo eficaz”, completa. Esse processo tem ampliado significativamente, e de maneira veloz, o conhecimento acerca de variações genéticas e sua associação com doenças. Segundo Quaio, graças a isso, exames feitos há um ou dois anos que foram considerados inconclusivos estão sendo esclarecidos agora. “Vivenciei essa situação recentemente. Fizemos a avaliação do exoma de um paciente em 2018, e vimos variações genéticas suspeitas, mas não fechamos diagnóstico. Na reanálise, semana passada, achamos uma nova pesquisa, divulgada no fim de 2019, com duas dessas variações.” Por enquanto, o sequenciamento genético e a análise por inteligência artificial ainda são inacessíveis para a maioria da população. Uma iniciativa que une governo e setor privado pode começar a mudar esse quadro. Em dezembro do ano passado, o Ministério da Saúde e o Hospital Albert Einstein, de São Paulo, firmaram um acordo para a implementação do projeto Genoma Raro.

Sistema Único de Saúde oferecerá a recém-nascidos exame para toxoplasmose

De acordo com informações da Agência Brasil da última sexta-feira (6), o Sistema Único de Saúde (SUS) vai realizar testes para avaliar a existência de toxoplasmose em bebês recém-nascidos. A análise será feita na ocasião do chamado teste do pezinho, que é feito em crianças após o parto. As unidades de saúde públicas terão até seis meses para se adequar à determinação e passar a oferecer o teste. Conhecida como doença do gato, a toxoplasmose é causada por um protozoário e pode apresentar quadro clínico variado – desde infecção assintomática a manifestações sistêmicas extremamente graves. De acordo com o Ministério da Saúde, as vítimas da enfermidade podem sofrer diferentes sintomas. Nos estágios mais leves, os sintomas podem ser gripe e dores musculares. Nos estágios mais avançados, a doença pode gerar problemas de visão e cerebrais, como de coordenação motora. A cura é possível na fase aguda da infecção, mas o parasita permanece no corpo do infectado durante o restante da vida e pode se manifestar novamente. A infecção em humanos ocorre por três vias: infecção transplacentária durante a gravidez, contato direto com solo, areia e latas de lixo contaminados com fezes de gatos infectados; ingestão de carne crua ou mal cozida infectada (sobretudo carne de porco e de carneiro). De acordo com o Ministério da Saúde, o índice de incidência da doença é de entre 5 e 22 bebês a cada 10 mil nascimentos. De acordo com a pasta, cerca de 40% dos fetos de mães que adquiriram a doença durante a gestação são infectados. A orientação para prevenir a doença é evitar o uso de produtos animais crus ou mal cozidos; eliminar as fezes de gatos infectados em lixo seguro; proteger as caixas de areia; lavar as mãos após manipular carne crua ou terra contaminada e evitar o contato de grávidas com gatos. O teste do pezinho é ofertado em 22.353 pontos de coleta na rede do SUS. Quem deseja realizá-lo pode procurar a unidade de saúde da família mais próxima. O Ministério da Saúde recomenda que o teste seja feito até o quinto dia após o nascimento do bebê.

Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) realizou nova rodada de avaliação de propostas para atualização do Rol

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) informou na última sexta-feira (6) que, por intermédio da Diretoria de Normas e Habilitação dos Produtos (DIPRO), deu continuidade, nos dias 03 e 04 de março, às reuniões de análise das propostas de atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde (ciclo 2019-2020). Este é o primeiro ciclo de reuniões com a nova metodologia de atualização do Rol, cujas regras estão estabelecidas na Resolução Normativa Nº 439/2018. Nos encontros estão sendo avaliadas as sugestões de tecnologias em saúde submetidas no processo de atualização do Rol e consideradas elegíveis. Participaram das atividades os membros da Câmara de Saúde Suplementar (CAMSS), os autores das propostas elegíveis e representantes de entidades representativas do setor. Nesses dois dias foram apresentadas novas tecnologias para o tratamento de psoríase, urticárias crônicas e asma. As avaliações contemplaram 11 sugestões que levaram em conta a viabilidade econômica, vantagens e fragilidades, além das formas de execução dos projetos. O gerente-geral de Regulação Assistencial, Teófilo Rodrigues, destaca a importância das discussões para o processo de atualização do Rol. “As contribuições provenientes dos debates têm-se mostrado riquíssimas e, a partir destas análises, reuniremos informações que serão somadas a outros dados de avaliação pela equipe técnica da ANS”, explicou. Veja aqui as tecnologias em saúde analisadas na 17ª e na 18ª reunião e as indicações de uso.

SAÚDE NA IMPRENSA
Agência Câmara – Frente em prol do Programa Nacional de Imunizações será lançada na terça-feira

Agência Câmara – Comissão externa debate com Ministério da Saúde ações contra coronavírus

Agência Câmara – Frente em defesa dos serviços de ambulância será instalada na quarta-feira

Agência Senado – Efeitos do vírus Zika no cérebro adulto serão debatidos pela CAS

Agência Senado – CE vota projetos de ações inclusivas e datas especiais sobre saúde na terça-feira

Agência Câmara – Comissão geral debaterá combate ao coronavírus no Brasil

Folha de S.Paulo – Europa aperta medidas contra coronavírus, mas tenta conter pânico

Folha de S.Paulo – Coronavírus e gravidez: o que gestantes precisam saber sobre o covid-19

Folha de S.Paulo – Assista trechos da palestra de FHC em evento de Cannabis medicinal

Folha de S.Paulo – Coronavírus é coisa séria

Folha de S.Paulo – Empresas chinesas de tecnologia crescem com novo coronavírus

Folha de S.Paulo – Rir é o melhor remédio

Folha de S.Paulo – Evento mostra que regulação da Cannabis medicinal é um exercício de democracia

Folha de S.Paulo – Pobreza menstrual: tabu e preconceito

Folha de S.Paulo – Falhas de comunicação do governo marcam expansão do coronavírus na Itália

Folha de S.Paulo – Argentina não se preparou bem para a dengue, resta saber como será com o coronavírus

Folha de S.Paulo – Enfermeiras brasileiras marcaram protagonismo feminino na 2ª Guerra Mundial

Folha de S.Paulo – Medicina fica mais feminina, mas ainda é desigual

Folha de S.Paulo – Exercícios simples podem retardar envelhecimento do cérebro

Folha de S.Paulo – Sobe para 19 total de casos confirmados do novo coronavírus no Brasil

Folha de S.Paulo – Quem lucra com remédios de alto custo e pouco benefício?

Folha de S.Paulo – Orientação genética para casais pode evitar malformações

Folha de S.Paulo – Personagem com distrofia muscular de Duchenne entra para a Turma da Mônica

Folha de S.Paulo – Novas drogas retardam progressão da esclerose múltipla

Folha de S.Paulo – Inteligência artificial ajuda a identificar causas de doenças raras

Jornal Agora – Consultório ao ar livre atende até 120 pessoas por dia em SP

Jornal Agora – Amigdalite maltratada pode evoluir para problema nos rins

O Globo – Faltam médicos nas unidades básicas de saúde

O Globo – O vírus da negligência: um terço de 18 unidades básicas de saúde não tem médicos

O Estado de S.Paulo – Gravidez na adolescência

O Estado de S.Paulo – Coronavírus empurra profissionais para trabalhar em casa

O Estado de S.Paulo – Brasil pode liderar a produção de cannabis medicinal no mundo

O Estado de S.Paulo – Reação exagerada ao coronavírus

O Estado de S.Paulo – Mauricio de Sousa homenageia pesquisadoras brasileiras do coronavírus

Agência Brasil – Projeto Oftalmologia Humanitária vai ao interior do Amazonas

Agência Brasil – SUS oferecerá a recém-nascidos exame para toxoplasmose

Anvisa – Sistema Solicita estende peticionamento a cosméticos

ANS – ANS realiza nova rodada de avaliação de propostas para atualização do Rol

ANS – ANS amplia prazo e condições para Ciclo Intensivo do Parto Adequado

Correio Braziliense – Risco de morte pode cair 42% com 4,5 mil passos diários

Agência Saúde – Ministério da Saúde e OPAS discutem reestruturar Centros de Testagem e Aconselhamento

Agência Saúde – SUS ofertará exame de toxoplasmose para bebês

Agência Saúde – Saúde da mulher é mais do que cuidados ginecológicos

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O Boletim NK, produzido pela NK Consultores Relações Governamentais, é uma compilação das principais notícias publicadas em meios de comunicação do país sobre temas ligados ao setor.

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