Polêmica sobre efeitos atribuídos à vacina contra o HPV no Acre mostra despreparo da saúde

//Polêmica sobre efeitos atribuídos à vacina contra o HPV no Acre mostra despreparo da saúde
Não bastassem as clássicas fake news em torno das vacinas, como as de que elas causam autismo, uma nova polêmica envolvendo a vacinação contra o HPV no Acre tem jogado mais lenha nessa fogueira, informou a colunista Cláudia Collucci da Folha de S. Paulo nesta terça-feira (26). Entre 2014 e 2017, o Acre registrou uma série de reações adversas graves em crianças e adolescentes que foram vacinados contra o HPV. Os casos ficaram sem diagnóstico e, no início deste ano, o Ministério da Saúde pediu uma avaliação da equipe médica do IPq (Instituto de Psiquiatria) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP-SP. Foram avaliados 74 casos de jovens com sintomas que iam de febre, dor de cabeça, dores nas pernas a desmaios e convulsões. Desses, foram selecionados 16 casos com sintomas mais graves, dos quais 12 foram investigados até o final de outubro. As meninas e meninos passaram 15 dias internados no IPq, fazendo diversos tipos de exames laboratoriais e de imagem, entre eles o monitoramento da atividade cerebral com acompanhamento em vídeo. Segundo resultados apresentados ao Ministério da Saúde, dez pacientes não têm epilepsia nem qualquer doença neurológica de natureza orgânica (provocada por lesão ou alteração elétrica no sistema nervoso central). Os outros dois casos (irmãos) foram diagnosticados com um tipo de epilepsia de origem genética que costuma se manifestar na puberdade. De acordo com o relatório, os sintomas apresentados pelos pacientes não teriam nenhuma causa biológica ligada à vacina, mas sim seriam resultado de um surto de doença psicogênica, que teve como gatilho o medo da vacina. “Trata-se de uma doença funcional do sistema nervoso. Está associada a estresse emocional, que desencadeia uma reação psicológica automática do sistema nervoso”, disse o psiquiatra Renato Luiz Marchetti, coordenador do projeto de neuropsiquiatria do instituto, em entrevista ao Jornal da USP.

Médica que contrapõe pesquisa do hospital da USP está envolvida na polêmica da ozonioterapia

Ainda de acordo com a colunista Cláudia Collucci da Folha de S. Paulo, a médica Maria Emília Gadelha Serra, pós-graduada em perícias médicas na Santa Casa de São Paulo, contrapõe o resultado da investigação do IPq. Convidada pela comissão de saúde da Assembleia Legislativa do Acre para falar sobre o assunto, ela disse que ninguém pode dizer que os efeitos colaterais apresentados pelos jovens do Acre sejam de fundo psicológico ou psicogênico. Segundo a médica, muitas das garotas afetadas pela vacina têm abalos musculares originados em áreas mais profundas do cérebro, razão pela qual ela acredita que os exames realizados até o momento tenham sido inadequados. Ela disse que a vacina teria contaminado as garotas com chumbo e outros metais e defende que, em primeiro lugar, deve-se tratar a contaminação pelos metais e em seguida os efeitos colaterais. A médica, uma das principais defensoras da ozonioterapia no país, está envolvida em outra polêmica e foi processada pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) por danos morais. Em 2017, em audiência no Senado, ela questionou a isenção do conselho para avaliar a técnica de ozonioterapia em tratamentos. O presidente da comissão de saúde da Assembleia do Acre, deputado José Bestene (PP), diz que a opinião da médica irá se contrapor à análise dos especialistas da USP. “Corta o coração da gente, meninas que estavam em perfeito estado de saúde de repente amanheceram doentes, totalmente dependentes”, disse ele durante a sessão. Em relação à crença de que a vacina contra o HPV cause danos, há relatos semelhantes no Japão, na Austrália e na Colômbia. A vacinação faz parte da estratégia da OMS (Organização Mundial da Saúde) para erradicar o câncer de colo de útero, doença cuja causa mais comum é a infecção pelo vírus HPV.

O custo e o modelo da saúde que desejamos

As empresas da área da saúde vêm trabalhando nos últimos anos em mudanças para reduzir e dar maior previsibilidade aos seus custos. Segundo artigo de Rodrigo Lopes publicado no Blog Saúde em Público da Folha de S. Paulo, nesta segunda-feira (25), o modelo fee for service, utilizado atualmente, foi importante para incorporar e oferecer medicina de qualidade para um grande número de cidadãos. Mas há praticamente um consenso entre fontes pagadoras, prestadores de serviço e usuários de que uma revisão é essencial, para garantir a sustentabilidade e o crescimento de todo o setor. A tecnologia é considerada um dos pilares essenciais para resolver esse desequilíbrio. Mas, em muitos casos, tem sido aplicada para gerar demandas que nem sempre apresentam relação custo-benefício equilibrada. Esse é um dos pontos que tem levado a um custo cada vez mais elevado, sem o ganho real e efetivo esperado pelo paciente. Por outro lado, vivemos um momento único em que a tecnologia, quando bem aplicada, contribui para o desenvolvimento da medicina. Os avanços são relevantes, com melhores desfechos, períodos menores de internação ou predições que contribuem para agilizar diagnósticos e tratamentos, além de reduzir custos, por meio de inteligência cognitiva e gestão de dados. Esta é uma realidade que veio para ficar e tende a ampliar o seu uso de modo promissor, em benefício de instituições, profissionais e pacientes. Cabe aos players do setor, portanto, decidir onde investir e qual tipo de desenvolvimento e tecnologia serão utilizados. O mesmo acontece com o modelo de assistência, hoje centrado no hospital e na doença. E aqui temos visto que a inovação pode ir além da tecnologia, quando esses mesmos players buscam não apenas novos modelos de remuneração, mas iniciativas de promoção e prevenção da saúde que melhoram a qualidade de vida dos pacientes, a efetividade do cuidado e, consequentemente, a redução de custos. Esse movimento também acontece no caso das empresas. É crescente o número de programas corporativos baseados no atendimento primário de funcionários e seus familiares. O acompanhamento integral do paciente, com equipe multidisciplinar, dentro dos moldes do médico de família, tem proporcionado melhor gestão do cuidado e redução da sinistralidade. O paciente tem sido trazido à posição de protagonista. Isso vale tanto para a promoção quanto para a prevenção, com o objetivo de detectar antecipadamente doenças crônicas, como cardiopatias, diabetes e outras, além de quadros oncológicos, cujos tratamentos tornam-se mais eficazes quando identificados precocemente. Esses conceitos impactam na expectativa do aumento de vida que observamos nas últimas décadas – e para o qual o modelo de saúde vigente deu grande contribuição.

As Santas Casas na UTI

As Santas Casas estão sendo estranguladas pelo poder público, que não só paga mal, como frequentemente não paga pelos serviços prestados por elas no Sistema Único de Saúde (SUS). Conforme mostrou editorial do jornal O Estado de S.Paulo nesta terça-feira (26), algumas instituições do interior paulista estão a ponto de fechar as portas por causa da falta de repasses das prefeituras, aliada à defasagem na tabela do SUS. A situação é similar nos outros Estados. Como os hospitais filantrópicos respondem por mais de 50% dos atendimentos do SUS e entre 60% e 70% dos atendimentos de alta complexidade, se esse quadro não for revertido a saúde pública entrará em colapso. Dos 2.172 hospitais filantrópicos do País, 968 são responsáveis por todo o atendimento hospitalar de seus municípios. De um total de 170 mil leitos, 126 mil (74%) se destinam ao SUS. São cerca de 6,5 milhões de internações por ano e mais de 280 milhões de atendimentos ambulatoriais só para o SUS. O Ministério da Saúde informa que está em dia com os repasses para esses hospitais. Mas isso não é suficiente. Em razão da defasagem na tabela, o governo cobre, em média, apenas 60% dos custos do sistema. Os restantes 40% ficam por conta dos hospitais filantrópicos, que acabam por assumir dívidas a juros de mercado com os bancos. Em 2005 a dívida dessas instituições era de R$ 1,8 bilhão. Hoje já ultrapassa R$ 20 bilhões. Nos últimos anos, 218 hospitais fecharam as portas, cerca de 35 mil leitos foram desativados e em muitas regiões a oferta de serviços foi severamente reduzida. Esse déficit só faz crescer ano a ano, e seguirá crescendo, já que a tabela do SUS não é reajustada há 15 anos e fica mais defasada a cada dia. Desde o Plano Real até 2018, enquanto o salário mínimo aumentou 854% e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor do IBGE, 506%, a tabela do SUS foi reajustada em 93,7%. O Estado de São Paulo tem conseguido, em parte, reverter essa situação por meio do programa Santas Casas Sustentáveis, que desde 2016 tem feito uma distribuição de recursos mais qualitativa, de acordo com a complexidade dos serviços prestados e das necessidades da localidade atendida, condicionando-a a metas de gestão. Para hospitais de atendimento complexo, os repasses estaduais chegam a ser 70% superiores aos pagos pelo SUS. É um modelo a ser seguido por outros Estados, e o próprio Ministério da Saúde tem ensaiado mudanças nos seus critérios de financiamento. Ainda assim, como mostra a reportagem do Estado sobre as Santas Casas no interior de São Paulo, estas e outras medidas, como linhas de crédito mais suaves da Caixa Econômica Federal ou do BNDES, são paliativas e só aliviam os sintomas, deixando intacta a origem da doença: a defasagem na tabela. Com essa hemorragia crônica que há 15 anos sangra os hospitais filantrópicos, suas estruturas e finanças foram a tal ponto precarizadas que muitos encontram dificuldades de obter crédito e até de se cadastrar no programa Santas Casas Sustentáveis. Segundo Edson Rogatti, presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo, das 400 Santas Casas existentes no Estado, apenas 68 conseguiram se cadastrar no programa.

SAÚDE NA IMPRENSA
Agência Câmara – Proposta exclui do cálculo do IR as despesas com plano de saúde pagas por associações

Agência Câmara – Projeto cria política para garantir direitos de pacientes de síndromes articulares

Agência Câmara – Telemedicina será tema de audiência pública na quinta

Agência Câmara – Grupo de estudos sobre atenção primária à saúde promove nova audiência

Agência Câmara – Seminário discute cobertura vacinal no Mercosul

Agência Senado – Planos de saúde, superendividamento e novas tecnologias serão temas de debate

Agência Senado – Hospital de Amor é exemplo na luta contra o câncer, destacam senadores

Folha de S. Paulo – Taxa de transplante de órgãos dos EUA é o dobro da do Brasil

Folha de S. Paulo – Polêmica sobre efeitos atribuídos à vacina contra o HPV no Acre mostra despreparo da saúde

Folha de S. Paulo – O custo e o modelo da saúde que desejamos

Folha de S. Paulo – Promotoria impõe cardápio vegano em escolas do sertão da Bahia

Folha de S. Paulo – Estudo conclui que a maioria dos estudos sobre dieta são enviesados

Folha de S. Paulo – No Dia do Doador de Sangue, internautas lamentam restrição a doador gay

Folha de S. Paulo – Pesquisa com mais de um milhão de participantes comprova eficácia do exercício para saúde

Jornal Agora – Pacientes relatam problemas em aplicativo de consultas em São Paulo

Jornal Agora – Criança passou pelo hospital três vezes antes de ser morta

O Globo – Novidades, mitos e verdades sobre o botox

O Estado de S.Paulo – Tribunal de Contas faz nova blitz em hospitais, UBS’s, UPA’s e prontos-socorros em mais de 200 municípios paulistas

O Estado de S.Paulo – As Santas Casas na UTI

O Estado de S.Paulo – Antidepressivos e Gravidez: benefícios superam os riscos?

O Estado de S.Paulo – Depressão: A dança como aliada no combate à doença

O Estado de S.Paulo – Menino de 9 anos está prestes a se formar em Engenharia e sonha em fazer Medicina

Portal Anvisa – Webinar irá abordar dispositivos médicos sob medida

Agência Saúde – Brasil emplaca maior investimento mundial contra doença de Chagas

Agência Saúde – InovaSUS: premiados apresentam iniciativas vencedoras

Agência Saúde – População tem até 3 de dezembro para enviar sugestões

Agência Saúde – Mais R$ 36,6 milhões para atendimento odontológico no SUS

Agência Saúde – Brasil emplaca maior investimento mundial contra doença de Chagas

Agência Saúde – Ministério da Saúde simplifica tratamento de pacientes infectados por tuberculose e HIV

Agência Saúde – Estão abertas as inscrições para a 16ª Expoepi

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O Boletim NK, produzido pela NK Consultores Relações Governamentais, é uma compilação das principais notícias publicadas em meios de comunicação do país sobre temas ligados ao setor.

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