Pandemia deve acelerar digitalização do agronegócio, diz Mendonça de Barros

//Pandemia deve acelerar digitalização do agronegócio, diz Mendonça de Barros
As mudanças provocadas pela pandemia tendem a acelerar a digitalização do agronegócio e aprofundar a divisão social do trabalho, disse nesta segunda-feira (3) o economista José Roberto Mendonça de Barros, sócio-diretor da MB Associados, durante o congresso anual da Associação Brasileira de Agronegócio (Abag), realizado na manhã desta segunda-feira (3) de forma virtual. Segundo Mendonça de Barros, a pandemia mudou a forma das pessoas se relacionarem e se alimentarem. Como produto dessa mudança, os trabalhadores de todos os setores, incluindo o agronegócio, deverão estar mais bem preparados e especializados. “Estamos muito perto de um salto de novidades e produtividade, e a internet será nossa rodovia nesse sentido”, afirmou o sócio-diretor da MB Associados. De acordo com o Valor Econômico Mendonça de Barros disse também que há alguns indícios dessas mudanças também na origem dos produtos consumidos, como a maior procura por produtos de origem 100% vegetal, o que impactará diretamente as formas de produção. “E a agricultura de precisão permitirá que o setor produza mais, e com menos custos”, disse.

“Vamos mostrar a que viemos”, diz Tereza Cristina

Quais as lições para o futuro do agronegócio? Este é o tema central do Congresso Brasileiro do Agronegócio, um dos eventos mais importantes do setor, que neste ano acontece de forma digital. Segundo o portal AgroLink a abertura ocorreu na manhã desta segunda-feira (3), com a participação de lideranças do setor. Nesta edição foram mais de 8 mil inscritos. No ano em que o Brasil alcança sua maior safra de grãos, com mais de 250 milhões de toneladas, com abertura de 70 novos mercados para exportação, com recordes em exportação que devem bater os US$ 106 bilhões no ano, abastecendo 200 países, os desafios, como a pandemia do novo coronavírus, mostraram a resiliência do setor, que não parou. Paralelo a isso as discussões de preservação ambiental e acesso a mais recursos financeiros e de infraestrutura permeiam o debate. Na abertura o presidente do Conselho Diretor da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Marcello Brito, destacou a importância do setor privado assumir o papel em questões como ações concretas contra desmatamento e ilegalidade, dando suporte ao governo e cobrando a aplicação das leis. “Temos um ótimo Código Florestal mas precisamos aplicar, fizemos o CAR mas apenas 5%  foram validados. Temos que fazer um pacto para unir o setor que por anos viveu de cacos, implementar leis e não implementar plantas daninhas que mancham nosso destino. A grande maioria dos agricultores e pecuaristas é honesta. Vamos abraçar a causa do nosso país e assim faremos mais difícil a vida dos nossos concorrentes”, defendeu. O ano positivo do setor e o bom momento do mercado de capitais são os motivos citados pelo CEO da Bolsa Brasil – B3, Gilson Finkelsztain, para alavancar o setor financeiro no campo, suprindo outro desafio: a oferta de crédito e recursos para a gestão de riscos. “Aumentar concessão de crédito e o acesso para o produtor. Temos um ano desafiador e com potencial para investir no setor, com obras, agenda forte de sustentabilidade, acesso a recursos e gestão de riscos para crescer e ser mais competitivo ainda”, aposta. Brito anunciou que a Abag é a primeira entidade global do agronegócio a neutralizar as emissões de carbono em 2019 por meio do Crédito de Descarbonização (CBIO), instrumento adotado pelo Renovabio para atingir esta meta. “Esse é um exemplo de setores comprometidos com o agro positivo e exemplo para a sociedade em ações mitigadoras às mudanças climáticas. Protagonismo, legalidade e ciência”, enfatizou o dirigente. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina aposta na diversidade do agronegócio brasileiro, focando em preservação.  “O Brasil sabe produzir e preservar, estamos diversificando em produtos e aumentando sua produtividade, como grão de bico e gergelim, por exemplo. Trabalhando para área de trigo expressiva e ser autossufieciente”, disse. Ela destaca que fatores naturais serão diferencial no pós-pandemia, onde haverá um mundo mais exigente em sanidade e sustentabilidade. “O Brasil tem terra, o Brasil tem água, o Brasil tem clima, tecnologia única feita pela Embrapa para nossa realidade, pela nossa gente. Vamos mostrar o que temos e a que viemos”. Como forma de fortalecer a logística e infraestrutura de escoamento da produção, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, destacou investimentos que prometem melhorar a efetividade de transporte da safra no país. Entre eles está o investimento em acessos ao Porto de Santos, na casa de R$ 19 bilhões, para diminuir o tempo de operação e custos, assegurando o investimento do produtor. Aumento da concessão de rodovias como a recente pavimentação da BR-163, concluída este ano, o que já significa um grande avanço para os estados do Pará e de Mato Grosso, e ampliação da malha ferroviária brasileira. Há investimentos programados na Malha Paulista, Ferrogrão, Ferrovia da Integração do Centro-Oeste além de obras, como pontes, que interligam os modais. No total o governo federal planeja promover 44 leilões de concessões na área de transportes no próximo ano, com a meta de atrair R$ 101 bilhões de investimentos em rodovias, ferrovias, aeroportos e portos. “Toda vez que vamos no campo ficamos impressionados com o profissionalismo do nosso agro, que desbravou novas áreas, buscou pesquisa, investiu em tecnologia e vem superando as dificuldades. É necessário prover infraestrutura  para garantir qualidade e repercutir no valor do frete”, disse o ministro.

Fintechs e corretoras dão forte impulso aos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA)

O mercado de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) passa por forte expansão e deve fechar 2020 com um volume quase 50% superior ao do ano passado, destacou o jornal O Estado de S.Paulo nesta segunda-feira (3). Até julho, novas emissões atingiram R$ 8 bilhões e podem beirar R$ 20 bilhões em dezembro, prevê Maurício Visconti, presidente da Associação Brasileira de Securitizadoras Imobiliárias e do Agronegócio (ABSIA). Com isso, o estoque ao fim de 2020 (montante emitido e não liquidado) se aproximaria de R$ 63 bilhões. Entre 2018 e 2019, o incremento foi bem menor, de 19%. O novo cenário de crédito no País impulsiona os CRAs. A Selic baixa (2,25% ao ano) faz investidores buscarem papéis mais remuneradores. E houve expansão de fintechs e plataformas online de corretoras entre investidores pessoa física, ocupando espaço dos bancos tradicionais. Ele explica que muitas pessoas que experimentam novos papéis sentem-se mais “confortáveis” em aplicar em CRAs, de renda fixa, do que em ações em bolsa, cujo resultado é variável. As emissões mais recentes remuneraram, em média, o IPCA (índice de inflação) mais cerca de 5%, ou CDI (que acompanha Selic) mais 3% a 4%. Alguns CRAs são restritos a investidores profissionais.  O peso dos certificados do agronegócio no financiamento do setor cresce a cada ano. Girava em torno de 12% em 2018, subiu para 15% em 2019 e deve alcançar 18% em 2020, conta Visconti. A nova Lei do Agro, aprovada em abril, trouxe maior segurança a investidores. Estabeleceu, entre outros pontos, que o registro da CPR, título necessário na emissão de alguns CRAs, ocorra em uma plataforma online a partir de 2021, no lugar de cartórios. A Frimesa, que reúne as cooperativas Copagril, Lar, C.Vale, Copacol e Primato, todas do Paraná, está empolgada com os efeitos da demanda chinesa por carne suína. Mesmo sem exportar ao país asiático, a empresa se viu beneficiada. “Os preços em outros mercados também subiram e isso teve um efeito positivo para toda a cadeia”, diz Elias Zydek, diretor executivo da cooperativa. A Frimesa tem 22% de sua receita nas exportações. Atende 14 países, principalmente na Ásia, e tentará habilitar uma unidade para a China. Para este ano prevê faturamento de R$ 4 bilhões, ou 25% mais. Várias obras estão em andamento para aumentar a produção. Em Medianeira, a Frimesa aplicou R$ 40 milhões para chegar a 1 mil toneladas de produtos fatiados por dia, ante as 700 toneladas atuais. Já a unidade de Marechal Cândido Rondon recebeu R$ 20 milhões para elevar a capacidade de abate de suínos de 1,2 mil para 1,5 mil cabeças/dia. Ainda serão aportados mais R$ 20 milhões a fim de crescer a produção de leite de 800 mil litros/dia para 1 milhão de litros/dia. Por fim, um novo frigorífico deve estar concluído em 2022 em Assis Chateaubriand, com investimento de R$ 1,05 bilhão. A super safra de grãos em 2019/2020 e os altos preços das commodities turbinam os resultados da indústria de silos-bolsa. A Marcher Brasil, que produz equipamentos para essas estruturas, viu suas vendas subirem 30% no primeiro semestre. Os silos-bolsas são portáteis e custam menos que os depósitos de grãos metálicos e fixos.

Bayer vai estimular ações que capturam carbono no campo

Na última sexta-feira (31), o jornal O Estado de S.Paulo divulgou que, para que as mudanças climáticas não tornem o planeta inóspito ao ser humano, os países precisam reduzir suas emissões de gases de efeito estufa (GEE), o que requer uma eficiente transição para uma economia de baixo carbono. O setor agrícola, neste cenário, tem o desafio duplo de atender às demandas crescentes por alimentos e, ao mesmo tempo, investir em práticas que recuperem o solo e reduzam a concentração de CO2 na atmosfera. A iniciativa Carbono Bayer, criada pela multinacional de origem alemã, surge exatamente com a proposta de estimular a adoção de práticas de plantio que capturem carbono. No Brasil e nos Estados Unidos foram selecionados 1.200 agricultores que receberão apoio técnico da empresa. O investimento é de 5 milhões de euros no Brasil. No caso nacional, terá acompanhamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para medição e análise do carbono capturado no solo em áreas produtivas. A proposta é parte de um conjunto maior de iniciativas da companhia voltadas a práticas socioambientais sustentáveis. “No final do ano passado, a Bayer renovou seus compromissos com o meio ambiente com um planejamento para os próximos 10 anos (2030), dentro dos pilares que já faziam parte da nossa estratégia, como inovação, sustentabilidade e transformação digital”, diz Eduardo Bastos, diretor de Sustentabilidade da divisão agrícola da Bayer no Brasil. Ele acrescenta que foi incluída uma outra frente de atuação, a agenda 30/30/100: reduzir em 30% as emissões de GEEs na agricultura mundial, reduzir em 30% o impacto ambiental das tecnologias e melhorar a vida de 100 milhões de pequenos agricultores no mundo, até 2030. Como parte da estratégia, a empresa criou a iniciativa Carbono Bayer, projeto que assessora o agricultor tanto a ter acesso à tecnologia de ponta na análise de dados quanto a desfrutar de um mecanismo de recompensa financeira como forma de estimular a formação de um mercado de carbono. Brasil e Estados Unidos foram escolhidos pela Bayer para a iniciativa por serem grandes potências agrícolas e utilizarem tecnologias de ponta no campo. No Brasil, foram selecionados 500 produtores que têm milho ou soja como principais culturas espalhados por 14 estados, o que garante a presença de diferentes biomas nas análises. No total, serão 60 mil hectares de terra, sendo que para participar o agricultor precisava disponibilizar ao menos 50 hectares para o projeto. Todos precisavam ser usuários de Climate FieldView, a plataforma digital da Bayer que coleta e processa automaticamente dados de campo, gerando mapas e relatórios em tempo real. “O agricultor está se comprometendo a compartilhar os dados com a Embrapa, o que é importante para o avanço da ciência”, explica o executivo da multinacional. Para Luis Barioni, pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária, é importante buscar novas tecnologias que reduzam os custos para o produtor. Se a conta não fecha, o mercado de carbono será o primeiro prejudicado, como vem ocorrendo há décadas. De acordo com o diretor de Sustentabilidade da Bayer, o momento é oportuno para mostrar que é possível, sendo o Brasil uma potência agrícola e ambiental, trabalhar as duas vertentes de forma simultânea.

NA IMPRENSA

Agência Câmara – Frente parlamentar discute licenciamento ambiental nesta quarta

Agência Câmara – Frente Ambientalista discute desafios para preservação da Mata Atlântica mineira

O Estado de S.Paulo – Fintechs e corretoras dão forte impulso aos CRAs 

O Estado de S.Paulo – Irã desafia EUA com mercado na Venezuela

O Estado de S.Paulo – Governo argentino recebe alerta sobre quarta nuvem de gafanhotos

O Estado de S.Paulo – Bayer vai estimular ações que capturam carbono no campo

G1 – Governo aprova prorrogação de dívidas para produtores rurais que tiveram a atividade prejudicada pela Covid

G1 – Preço da soja aumenta em Mato Grosso do Sul e anima produtores

G1 – Produtores de Goiás se beneficiam da alta do preço do sorgo

G1 – Agricultores do sertão do Ceará retomam produção de algodão após quase 40 anos

Valor Econômico – Brasil consegue produzir, desenvolver e preservar, diz Tereza Cristina

Valor Econômico – GranBio firma parceria com grupo italiano para licenciar tecnologia de etanol celulósico

Valor Econômico – País precisa de uma política ambiental séria, diz Marcello Brito

Valor Econômico – Teremos um ‘boom’ ferroviário no país nos próximos anos, diz Tarcísio Gomes de Freitas

Valor Econômico – Pandemia tira renda de produtor de hortaliça e reduz área plantada

Valor Econômico – Muitos produtores estão enriquecendo de maneira ilícita graças à recuperação judicial, diz Blairo Maggi

Valor Econômico – Pandemia deve acelerar digitalização do agronegócio, diz Mendonça de Barros

Valor Econômico – Vendas de sementes e defensivos sofrem impacto

Valor Econômico – Abag usa CBios para compensar emissões

Valor Econômico – Cargill paga dividendos recorde à família controladora em 2020

Valor Econômico – Feiras agropecuárias que movimentam R$ 17 bi são canceladas e algumas tentam migrar para internet

Valor Econômico – Indústria de fertilizantes especiais faturou R$ 7,1 bi em 2019

Valor Econômico – Murilo Passos assume presidência do conselho da São Martinho

Embrapa – Informações sobre processamento de mandioca vão ser divulgadas no YouTube

Embrapa – Embrapa Agroenergia é correalizadora da Biodiesel Week

Embrapa – Prosa Rural – Doenças do Mamoeiro

CNA – Declaração do Imposto sobre Propriedade Territorial Rural deve ser realizada a partir de 17 de agosto

CNA – Boletim CNA: Conselho Monetário Nacional prorroga medidas emergenciais para o crédito rural

CNA – Aulas em ambiente virtual garantem continuidade dos alunos no SENAR – AC

CNA – A cochonilha de escama é uma das principais pragas que devasta a plantação de palma

Mapa – Projeto Monitor do Seguro Rural irá avaliar grupo de oito frutas

Mapa – Cinco terminais pesqueiros devem ser concedidos à iniciativa privada em 2021

AgroLink – Indústria de máquinas cai 12%

AgroLink – Sumitomo obtêm registro de herbicida para cultura do amendoim

AgroLink – Syngenta e Emater promoveram treinamento sobre tratamento de sementes

AgroLink – UPL lança campanha para intensificar combate a pragas agrícolas

AgroLink – Dólar amplia alta contra real de olho no exterior e à espera do Copom

AgroLink – Medidas do governo voltadas ao agronegócio na crise foram bem sucedidas

AgroLink – “Vamos mostrar a que viemos”, diz Tereza Cristina

AgroLink – PA: Sedap investe em ações para desenvolver agricultura familiar

AgroLink – Rentabilidade, demanda interna e condições climáticas favorecem fruticultura em MS

AgroLink – Ranking das 10 principais agroquímicas da Argentina

AgroLink – Coletânea de biografias resgata história da pesquisa agropecuária na Amazônia

AgroLink – Identificada quarta nuvem de gafanhotos

Anda – A defesa da vida e a batalha contra o glifosato na 4T
______________________
O Boletim NK, produzido pela NK Consultores Relações Governamentais, é uma compilação das principais notícias publicadas em meios de comunicação do país sobre temas ligados ao setor.

No comments yet.

Leave a comment

Your email address will not be published.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Translate »