Ministério prevê mercado global do agro mais protecionista e teme elevação de subsídios

//Ministério prevê mercado global do agro mais protecionista e teme elevação de subsídios
Num diagnóstico do mercado global do agronegócio durante e após a crise do novo coronavírus, o Ministério da Agricultura prevê um setor mais protecionista e teme que a pandemia seja usada por países como pretexto para a elevação de subsídios, informou a Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (4). A análise consta em documento elaborado pela pasta, resultado de uma videoconferência da ministra Tereza Cristina com 23 adidos agrícolas do Brasil junto a missões diplomáticas no exterior. Eles analisam no texto como a Covid-19 impactou o país ou a organização onde atuam e quais os prognósticos para o futuro. O resultado traz um panorama não apenas das mudanças esperadas no mercado internacional de alimentos — algumas delas já em andamento— como propostas de ações que precisam ser tomadas para que o Brasil não perca espaço nas exportações. O documento deve ser divulgado nos próximos dias. “Já se observam certas medidas protecionistas, adotadas em diferentes nações. As pretensões por autossuficiência alimentar podem até ser legítimas. Contudo, independentemente de boas intenções, a história demonstra que essas políticas tendem a privilegiar determinados atores econômicos em detrimento dos consumidores, tendo como consequência desabastecimento, aumento do preço dos alimentos e precarização dos segmentos mais vulneráveis da população”, diz o texto. A avaliação é que os países serão mais protecionistas, sob a defesa do conceito de “soberania alimentar, autossuficiência e buy local [privilegiar compras nacionais]”. “Há, inclusive, medidas de restrição a exportações em alguns países produtores. O nacionalismo agrícola privilegiará a produção local de produtos considerados estratégicos”, acrescenta o documento. O ministério também identificou o risco de a pandemia da Covid-19 ser utilizada como pretexto para o emprego de subsídios “em níveis desproporcionalmente elevados”. Por último, os técnicos da pasta consideram que o comércio agrícola global será ainda mais administrado. Ou seja, com a redução de tarifas e barreiras não tarifárias quando há temor de desabastecimento e, quando conveniente, com o aumento de medidas protecionistas e de subsídios para estimular agroindústrias domésticas. Apesar do quadro, o ministério avalia que o Brasil, como um dos principais exportadores de alimentos do mundo, está em condições de manter ou mesmo ampliar sua posição atual. A pasta considera que, para tanto, o país deve atuar para que medidas de facilitação de comércio adotadas durante a pandemia do novo coronavírus não sejam revertidas.

Exportações do setor agropecuário registram aumento de 17,5% no primeiro quadrimestre de 2020

O portal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento destacou nesta segunda-feira (4) que, as vendas externas da agropecuária brasileira tiveram um crescimento de 17,5% pela média diária nos quatro primeiros meses do ano, comparando com igual período do ano anterior. Apesar da pandemia do Novo Coronavírus, o trabalho de abertura de mercado para os produtos agropecuários brasileiros continua trazendo bons resultados para o país. Houve aumento das exportações para a Ásia, com destaque para a China. A participação do agro no total das exportações passou de 18,7% em 2019 para 22,9% em 2020. Os produtos que tiveram aumento no período foram: soja (+ 29,9%, de US$ 8.968,3 milhões para US$ 11.653,7 milhões), algodão em bruto (+ 69,5%, de US$ 659,2 milhões para US$ 1.117,6 milhões), madeira em bruto (+ 28,9%, de US$ 26,1 milhões para US$ 33,6 milhões), mel natural (+ 17,2%, de US$ 18,4 milhões para US$ 21,6 milhões), especiarias (+ 3,2%, de US$ 85,7 milhões para US$ 88,5 milhões). Segundo dados divulgados nesta segunda-feira (4) pelo Ministério da Economia, no mês de abril de 2020 as exportações brasileiras somaram US$ 18,312 bilhões e as importações, US$ 11,611 bilhões, com saldo positivo de US$ 6,702 bilhões e corrente de comércio de US$ 29,923 bilhões. No ano, as exportações totalizam US$ 67,833 bilhões e as importações, US$ 55,569 bilhões, com saldo positivo de US$ 12,264 bilhões e corrente de comércio de US$ 123,402 bilhões. Diferentemente do quadro mundial, o Brasil manteve sua balança praticamente estável. Alguns produtos do agronegócio bateram recordes históricos mensais de exportações em volume no mês de abril, como soja, com 16,3 milhões de toneladas; farelo de soja, com 1,7 milhão de toneladas; carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, com 116 mil toneladas; carne suína, com 63 mil toneladas e algodão bruto, com 91 mil toneladas. Por outro lado, tiveram queda: trigo, centeio e milho não moído, exceto milho doce, café não torrado, animais vivos, frutas e nozes. As exportações brasileiras (de todos os setores) para a Ásia subiram 15,5% no primeiro quadrimestre do ano, na comparação com o mesmo período de 2020. O mercado asiático passou a representar 47,2% do total de nossas exportações. Apesar do impacto da pandemia sobre a economia chinesa, as exportações brasileiras para a China cresceram 11,3% no período, com destaque para a soja (+ 28,5%), carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (+ 85,9%), carne suína fresca, refrigerada ou congelada (+153,5%) e algodão em bruto (+ 79,%). Os números do primeiro quadrimestre mostram que, em dólares, a China comprou do Brasil o triplo do importado pelos Estados Unidos e o dobro demandado pela União Europeia.

A moderna agricultura brasileira: mudanças e novas oportunidades

De acordo com artigo de Fernando Mendes Lamas, pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste publicado nesta terça-feira (5), os conhecimentos gerados pela pesquisa agropecuária, a capacidade empreendedora dos agricultores e a rede de assistência técnica têm levado a significativas mudanças na agricultura brasileira. Para os consumidores, pode se destacar como maiores mudanças nesse cenário: maior oferta de alimentos, fibra e energia; maior regularidade da oferta e melhoria da qualidade dos produtos oriundos da agricultura. Para os agricultores, as mudanças em curso estão proporcionando diversificação da produção. Enquanto antes se cultivava apenas soja, hoje o cultivo ocorre associado a outras culturas tais como milho, algodão e pastagens. Ou seja, está havendo modificações nos modelos de produção e novas oportunidades de geração de renda. E as modificações dos modelos exigiram a utilização de máquinas e implementos mais modernos. A mecanização da agricultura talvez tenha sido uma das maiores transformações e seus efeitos estão sendo espetaculares. Com as modernas máquinas tornou-se possível semear uma área significativamente maior em menor intervalo de tempo, e o que é mais importante, a qualidade dos trabalhos melhorou muito, tendo como resultados ganhos de produtividade e melhoria de qualidade de vida. A moderna agricultura exige do agricultor um grau de profissionalismo muito grande. Algumas habilidades são fundamentais, dentre as quais pode ser destacada a capacidade de planejar e de tomar decisões. O agricultor precisa estar muito bem informado sobre mercado para que possa decidir com segurança o que e quanto plantar; conhecer muito bem as tecnologias disponíveis para que possa obter boas produtividades com custos compatíveis com o mercado. Para isso, é indispensável que o agricultor seja muito bem assessorado por profissional que possa lhe prestar as informações necessárias para a sustentabilidade do seu negócio. Quando se cultivava apenas soja, as pragas se restringiam a essa cultura. Com a diversificação do cultivo (soja, milho, algodão, feijão, girassol, etc), há uma série de pragas e doenças que ocorrem em vários cultivos, ou seja, não são mais específicas de determinada cultura. O cultivo de mais de uma espécie e sua integração com a pecuária, por exemplo, é uma das estratégias mais adequadas para ter a sustentabilidade assegurada. Desta forma, o agricultor precisa combinar os cultivos de tal forma a se obter os efeitos positivos desta combinação. Em muitas das situações, a integração lavoura-pecuária é uma alternativa viável para assegurar a lucratividade do sistema de produção. Assim, intensificar e integrar passou a ser uma exigência para que o negócio seja efetivamente sustentável (duradouro). Em síntese, não é mais possível pensar apenas no cultivo de uma determinada espécie. A visão de sistema passa ser imperiosa sob todos os aspectos.

Produtores do DF entregam documento com sugestões ao presidente da República

Um grupo de produtores rurais do Distrito Federal entregou ao presidente da República, Jair Bolsonaro, na última sexta-feira (1), um documento para agradecer a edição da Medida Provisória 957, que libera R$ 500 milhões para a compra de produtos da agricultura familiar, e com sugestões para o setor enfrentar a crise com a pandemia do coronavírus, destacou o portal da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) nesta terça-feira (5). O encontro ocorreu no Palácio do Planalto e o documento foi entregue pela presidente do Sindicato dos Floricultores, Fruticultores e Horticultores do Distrito Federal (Sindifhort), Sandra Vitoriano. A MP 957 libera verba para a compra por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e foi uma das demandas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) atendidas pelo Governo Federal para ajudar produtores com dificuldade de comercialização de seus produtos. No documento, o Sindicato pede ainda a não redução dos percentuais de arrecadação do Sistema “S”, sobretudo do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), devido a grande importância e contribuição que estas entidades exercem para o agro. “O repasse de tecnologias e as ações educacionais de Formação Profissional são imprescindíveis para a continuidade das atividades produtivas do setor do agro nacional. A redução de recursos para essas instituições pode propiciar um enorme retrocesso e/ou um verdadeiro desmonte dessas instituições, visto que as mesmas dependem dos seus instrutores e consultores terceirizados para a realização de seus programas de repasses tecnológicos e gerenciais”, diz o documento. Participaram do encontro a deputada federal Bia Kicis (PSL/DF), presidente da Frente Parlamentar da Agricultura Familiar, o superintendente federal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do DF, William Barbosa, e o superintendente regional da Conab no DF e Entorno, Rafael Bueno.

NA IMPRENSA

Folha de S.Paulo – Ministério prevê mercado global do agro mais protecionista e teme elevação de subsídios

Folha de S.Paulo – Indústria cai 9,1% com coronavírus e volta ao nível de 2003

BR Político – Agropecuária registra aumento nas exportações

O Estado de S.Paulo – Venda de veículos novos desaba no Brasil e registra queda de 76% em abril

Valor Econômico – Mansueto diz que futuro da Embraer depende dos acionistas, e não do governo

Valor Econômico – Demanda por fertilizantes está aquecida, diz Mosaic

Valor Econômico – Conab confirma avanço do açúcar e queda da produção de etanol nesta safra 2020/21

Valor Econômico – Cafeicultores ‘ajustam’ o início da fase de colheita

Valor Econômico – Reflexos da pandemia no câmbio inflaram preço da soja no Brasil em R$ 25 por saca, diz Farsul

Valor Econômico – AGCO registrou lucro líquido 0,9% maior no 1° trimestre do exercício

Valor Econômico – Chuvas desta semana deverão ser decisivas para o milho safrinha

Valor Econômico – Commodities: Escalada de tensões EUA-China derruba preços da soja

Valor Econômico – Commodities: Excedente global pressiona açúcar em Nova York

CNA – Produtores do DF entregam documento com sugestões ao presidente da República

CNA – Mercado CNA oferece novas funcionalidades para o produtor rural

CNA – Gomose dos citros: saiba como proteger a plantação

CNA – Coffee Delivery: produtora de Santa Rita do Sapucaí inova forma de vender café em época de pandemia

CNA – Plataforma de comercialização eletrônica vai auxiliar produtores de MS durante pandemia

Mapa – Exportações do setor agropecuário registram aumento de 17,5% no primeiro quadrimestre de 2020

Mapa – Mapa revisa normas de certificação fitossanitária de origem e trânsito interestadual de vegetais

Embrapa – A moderna agricultura brasileira: mudanças e novas oportunidades

AgroLink – NF-e garante acesso a mais mercados, porém é preciso fazer as contas antes de decidir

AgroLink – Paraíba: ATR líquido desvaloriza 16,31% no mês de abril

AgroLink – Safra da cana segue voltada ao açúcar

AgroLink – Empresa vai doar R$ 1 milhão para custear refeições de caminhoneiros

AgroLink – Caem relatos de mortalidade de abelhas

AgroLink – Empresa de tabaco vai fabricar vacina contra Covid-19

AgroLink – BASF passa a emitir CPR eletrônica

AgroLink – Quedas do açúcar se mantêm

AgroLink – Fundação MT promove debate sobre mercado de fertilizantes

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O Boletim NK, produzido pela NK Consultores Relações Governamentais, é uma compilação das principais notícias publicadas em meios de comunicação do país sobre temas ligados ao setor.

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