Ministério da Agricultura tenta ampliar alcance do seguro rural

//Ministério da Agricultura tenta ampliar alcance do seguro rural
Com previsão de orçamento para 2020 de R$ 1 bilhão para o programa de subvenção ao prêmio do seguro rural, o Ministério da Agricultura fez mudanças nas regras de cobertura para tentar alcançar um número de produtores 17% maior e incrementar em ao menos 3 milhões de hectares a área segurada. O plano de expansão passa também por uma redução na participação de grãos como soja e milho entre as culturas protegidas e pela entrada de novas seguradoras nesse mercado, informou o Valor Econômico na última sexta-feira (22). Mas, apesar de otimista, a Pasta ainda não tem garantias de que os recursos serão efetivamente disponibilizados, já que depende de aval do Congresso, nem de que não serão contingenciados. Nesse sentido, a “briga” ainda é por mais segurança para trabalhar com esses valores. O impasse continua porque o montante de R$ 1 bilhão previsto foi dividido em duas rubricas no orçamento, que deve ser votado até o fim do ano: uma com R$ 232,7 milhões, que estaria assegurada, e outra de R$ 767,3 milhões, que depende de uma aprovação posterior do Congresso para ser efetivada como crédito suplementar. A saga é parecida com a que ocorreu para garantir os recursos subsidiados do atual Plano Safra. O relator-geral do Orçamento, deputado Domingos Neto (PSD/CE), disse ao Valor que aguarda o envio da revisão do projeto original pelo governo para saber se o seguro rural continuará nessas rubricas. O deputado Vicentinho Júnior (PL/TO), relator setorial de agricultura, não prevê mudanças nos valores. Uma fonte do Ministério da Economia afirmou que os recursos estão garantidos. Por mais que as incertezas incomodem produtores e seguradoras, o Ministério da Agricultura trata sem preocupação o tema, já que a divisão de fontes é prática recorrente para a aprovação do orçamento. Com isso, não haveria impacto na liberação dos recursos em 2020 — em março é definida a execução financeira por decreto. Para que tudo isso se confirme, a estratégia é contar com a força política da ministra Tereza Cristina, que prometeu prioridade ao seguro nas negociações com o Ministério da Economia. Mas o colega Paulo Guedes, que tem reclamado do orçamento engessado, deixa uma dúvida no ar, até porque os contingenciamentos têm sido recorrentes.

Empresa brasileira que produz proteína para cana recebe aporte

A subsidiária brasileira da americana Plant Health Care, fundada em 2018 com foco em uma solução para o aumento de produtividade das lavouras de cana-de-açúcar, vai se beneficiar do aporte de 2,3 milhões de libras esterlinas do braço de venture capital do Ospraie Management, companhia de gestão de investimentos sediada em Nova York, destacou o Valor Econômico na última sexta-feira (22). A Plant Healt Care, que tem capital aberto na bolsa de Londres, faturou US$ 1,1 milhão no ano passado com base na comercialização da proteína Harpin, ativadora do metabolismo natural das plantas, que visa estimular o crescimento de suas raízes e a absorção de nutrientes. Na safra 2018/19, o produto foi aplicado em cerca de 20 mil hectares, de 200 produtores. Os primeiros testes no Brasil, da tecnologia desenvolvida pela Universidade de Cornell, nos EUA, se deram em áreas da Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana), que hoje é parceira da Plant Healt Care e revendedora da Harpin. O aporte recém-recebido será direcionado à ampliação do mercado da 2ª geração da proteína no setor canavieiro e à expansão para outras culturas. O processo de registro da 3ª geração da Harpin tramita, no momento, no Brasil e nos EUA.

Títulos ‘verdes’ ganham espaço no mercado financeiro

Na esteira de discussões ambientais ao redor do mundo, uma modalidade de investimento vem ganhando espaço no mercado financeiro: os títulos verdes, ou green bonds em inglês. Segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo desta segunda-feira (25), esses papéis são emitidos por empresas para captação de recursos destinados a financiamento de projetos com impacto ambiental positivo em diversas áreas, de reflorestamento a transporte público. O investimento pode ser feito por meio de debêntures, debêntures incentivadas (de infraestrutura), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), por exemplo. No Brasil já foram emitidos seis títulos verdes, negociados na Bolsa de Valores, a B3, de empresas de energia, papel e celulose e da indústria química. Durante viagem a Nova York na última semana, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse que 2020 deve ser a hora de os green bonds acontecerem no Brasil. “Se caminharmos com a MP 897, que precisa ser votada e alterada, acho que temos boa chance de começar e começar grande com esses títulos, pois essa questão está sendo preparada há quatro ou cinco anos.” A medida provisória 897, a MP do Agro, publicada em outubro pelo governo, aumenta o portfólio de produtos negociados no mercado financeiro com o objetivo de bancar a produção agropecuária. Segundo a ministra, as emissões podem chegar perto do bilhão de reais. “Muitas usinas de etanol em São Paulo estão preparadas para isso e uma delas deve fazer uma emissão de US$ 50 milhões de CRA como experiência”, afirmou. O acesso do investidor comum a esse mercado, porém, precisa ser ampliado, de acordo com Tereza Cristina. “Ainda temos alguns desafios para pessoas físicas, pois, por exemplo, não será emitido um título de R$ 10 mil.”

Os desafios do agronegócio

De acordo com editorial publicado no jornal O Estado de S.Paulo nesta segunda-feira (25), o agronegócio é o setor mais pujante da economia nacional. Nas últimas décadas o País promoveu uma revolução agrícola. Há meio século o Brasil dependia da importação de comida para alimentar sua população. Hoje é o segundo maior exportador do mundo, atrás dos EUA. A ONU estima que, para suprir a demanda global até 2050, a produção mundial de carne deve dobrar e a de grãos deve aumentar 50%. Com a maior área de terra agricultável, diversidade de biomas, suprimento abundante de recursos naturais e pesquisas de ponta, o Brasil tem a possibilidade de se tornar a maior potência global. Para otimizar essa oportunidade será preciso solucionar deficiências crônicas, como as da infraestrutura, aumentar a produtividade, investir mais em inovação e responder às exigências ambientais. A edição de 2019 do Summit Agronegócio do Estado deu uma boa ideia do dinamismo do agronegócio brasileiro, assim como de seus desafios. Em 2019, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o PIB do setor agropecuário deve crescer 1,4%. Para 2020, prevê-se um avanço de 3,2% a 3,7%, com recordes de produção e exportação na lavoura e na pecuária. Como disse o consultor de commodities agrícolas Daniel Hueber, a epidemia da peste suína africana na China “é uma explosão de oportunidades para o Brasil”. No curto prazo, o País também se beneficia da guerra comercial entre EUA e China. “Os EUA perderam fatia do mercado chinês para o Brasil”, disse Hueber, “com um salto de 47 milhões para 64 milhões de toneladas de soja exportadas por ano.” Contudo, como advertiu o presidente do Grupo Estado, Francisco Mesquita Neto, o sucesso dependerá de investimentos logísticos, “incluindo a infraestrutura de estradas, dos portos e de todos os itens que compõem o escoamento de produção”. A logística de transporte é o fator que mais prejudica a competitividade da agropecuária nacional. A curto prazo, é necessário melhorar as condições das rotas rodoviárias e ampliar a capacidade dos portos. No médio prazo é preciso promover políticas públicas para áreas praticamente inexploradas nos últimos anos, como ferrovias e hidrovias. As perspectivas abertas pelas novas concessões são promissoras, mas está tudo por fazer. Em relação ao emprego da tecnologia, viu-se no Summit uma série de inovações em curso, desde aplicativos facilitando o acesso ao crédito, até o uso de drones nas lavouras. Grande parte dessas tecnologias é promovida por startups e disponibilizada a pequenos e médios produtores, que podem aumentar a sua produtividade a baixo custo. A disseminação dessas ferramentas, contudo, esbarra mais uma vez em déficits de infraestrutura. Um total de 50 milhões de hectares na área rural ainda não tem acesso à rede digital, prejudicando o emprego dessas tecnologias, a comunicação entre os elos da cadeia e o armazenamento e uso de dados. Outro grande desafio para o agronegócio é a sustentabilidade, tanto mais considerando-se as manobras erráticas e contraproducentes do governo de turno.

NA IMPRENSA
Agência Câmara – Nova lei para licenciamento ambiental será debatida em reunião da CMA e CCJ

Agência Câmara – Comissão de Agricultura debaterá política nacional para o leite

Agência Câmara – Comissão rejeita proposta que retira sanção penal para crime ambiental insignificante

Agência Câmara – Câmara discute soluções para o desmatamento na Amazônia

Agência Câmara – Ministro do Meio Ambiente participa de audiência na Comissão de Agricultura

Agência Câmara – Fomento ao desenvolvimento das cadeias produtivas será tema de seminário

Agência Senado – CMA vota projeto que pune comandante de barco por lixo jogado no mar

O Globo – Queda das exportações para Argentina freia retomada da indústria no Brasil

O Estado de S.Paulo – Bolsonaro quer autorizar GLO para reintegração de posse no campo

O Estado de S.Paulo – ‘Estado’ vence prêmio de reportagem do agronegócio

O Estado de S.Paulo – Títulos ‘verdes’ ganham espaço no mercado financeiro

O Estado de S.Paulo – Os desafios do agronegócio

Valor Econômico – Ministério da Agricultura tenta ampliar alcance do seguro rural

Valor Econômico – Empresa brasileira que produz proteína para cana recebe aporte

Valor Econômico – Monsanto é condenada a pagar US$ 10,2 milhões em multas ao governo havaiano

Mapa – Mapa participa de operação conjunta para prevenir entrada de doenças e pragas durante temporada de cruzeiros

AgroLink – AgroCenário discutirá as perspectivas para economia e política em 2020

Canal Rural – Produtores de mandioca adiam colheita devido à baixa produtividade

Canal Rural – Demanda aquecida eleva preços do milho no mercado interno

Canal Rural – Soja: chuvas favorecem plantio, mas colheita ainda pode atrasar, diz Cepea

Revista Globo Rural – Governo autoriza ocupação de produtores em polo de irrigação na Bahia

Revista Globo Rural – Exploração mineral dificulta entrada do agronegócio na Amazônia, diz SNA
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O Boletim NK, produzido pela NK Consultores Relações Governamentais, é uma compilação das principais notícias publicadas em meios de comunicação do país sobre temas ligados ao setor.

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