Ministério da Agricultura encontra fungos, ácaros e bactérias em sementes da China

//Ministério da Agricultura encontra fungos, ácaros e bactérias em sementes da China
Técnicos do Ministério da Agricultura (Mapa) identificaram diferentes tipos de microrganismos, como fungos, ácaros e bactérias, nas sementes que têm chegado de países asiáticos, principalmente da China, e entregues em diferentes endereços pelo Brasil, destacou a Folha de S.Paulo nesta terça-feira (6). Os pacotes são enviados pelo correio, como brindes de outras compras feitas pela internet ou mesmo de forma aleatória, sem que o destinatário encomendado nada do exterior. Desde agosto, quando um primeiro destinatário do Rio Grande do Sul notificou oficialmente as autoridades, o Mapa já recebeu 258 embalagens de moradores de quase todo o Brasil, número que tem crescido a cada dia. Apenas os estados do Maranhão e Amazonas ainda não possuem registros oficiais de recebimento dos pacotes. Na semana passada, a embaixada chinesa se pronunciou sobre o caso e disse ver indícios de fraude em etiquetas de sementes recebidas e se colocou à disposição para ajudar na investigação. Até agora, 39 amostras provenientes de quatro países asiáticos já foram previamente analisadas pelos técnicos do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Goiânia (GO). Em 25 delas foram encontrados três diferentes tipos de fungos, uma delas continha uma espécie de ácaro vivo e em duas constatou-se a presença de uma bactéria. Entre as espécies de sementes coletadas, quatro foram identificadas como possíveis pragas quarentenárias, ou seja, podem ser plantas daninhas. Como os técnicos não concluíram a análise completa das sementes, ainda não é possível dizer o risco de contato com o material. “Não temos elementos para afirmar que é uma ação intencional para introduzir algum organismo patogênico ou prejudicial para a agricultura, mas o risco existe, tanto é que os primeiros resultados apontam que precisamos aprofundar as investigações e chegar até a identificação das espécies”, afirmou José Guilherme Leal, secretário de Defesa Agropecuária. As sementes misteriosas podem ser uma ameaça à agricultura e ao meio ambiente brasileiros, já que novas espécies podem trazer consigo pragas, insetos e doenças ainda inexistentes no país. Assim, pode haver necessidade de controle com agrotóxicos, levando a uma maior contaminação ambiental e ao aumento de custos na produção agrícola. As autoridades não excluem também potenciais perigos das sementes para os seres humanos. “Como é um material sem controle, não sabemos se foi tratado com algum produto químico ou se a semente é tóxica. Alguém distraído pode por a semente na boca, mastigar ou mesmo intoxicar um animal doméstico”, ressaltou Leal. “Quando a gente trabalha com risco desconhecido, o alerta é máximo”, completou Carlos Goulart, diretor de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas. O Ministério e os órgãos estaduais têm orientado para que o material não seja aberto, descartado e utilizado. Quem receber as sementes deve contatar a instituição agrícola do seu estado ou a unidade do Mapa mais próxima para o recolhimento do produto. Ainda que as tenha plantado, não é necessário se identificar para entregar as sementes, já que não haverá sanções. O Mapa quer saber apenas como o pacote chegou até o destinatário. A apuração completa do material, que envolve o sequenciamento genético das plantas e o desenvolvimento dos microrganismos em laboratório para coleta suficiente de amostras, deve demorar pelo menos mais 30 dias, segundo o Mapa.

Demanda por crédito rural dispara

A demanda por crédito rural continuou forte no país em setembro e levou ao esgotamento precoce dos recursos de algumas linhas de investimentos com juros controlados do Plano Safra 2020/21. No total, os desembolsos já somaram R$ 73,8 bilhões de julho a setembro, 28% mais que nos primeiros três meses do ciclo anterior, segundo dados do Banco Central compilados pelo Valor Econômico nesta terça-feira (6). No caso das linhas para investimentos, o crescimento foi de 73% na comparação, para quase R$ 20 bilhões. Nas operações de custeio o incremento foi de 20%, para R$ 42,5 bilhões, e nas linhas de comercialização e industrialização também houve avanços. Diante de tamanha procura, no fim de setembro as instituições financeiras que operam os empréstimos foram avisadas que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estava suspendendo o recebimento de novas propostas de financiamentos para investimentos via Pronaf (agricultura familiar) e Pronamp (médios produtores). E que projetos no âmbito do Inovagro (inovação tecnológica) também teriam que esperar, devido ao nível elevado de comprometimento dos recursos reservados. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou no fim de semana que esse é um “bom problema”, já que mostra a confiança dos produtores rurais no futuro de seus negócios. “Fizemos um Plano Safra maior que todos os outros, e ele foi tão bem recebido que hoje já gastamos quase todos os recursos de investimentos”. A ministra realçou, ainda, que o movimento acontece mesmo com taxas de juros superiores às desejadas, acima de 6% em boa parte das linhas. Os investimentos via Pronaf cresceram 34% de julho a setembro, para R$ 4,5 bilhões, enquanto os via Pronamp aumentaram 46%, para R$ 1,01 bilhão. No caso do Pronamp, lembrou Wilson Vaz de Araújo, diretor de Financiamento e Informações do ministério, a maior parte dos valores programados para investimentos vem dos recursos obrigatórios, que não têm equalização. O Banco do Brasil e as cooperativas de crédito Sicredi e Bancoob ainda têm recursos equalizados para investimentos no Pronamp, mas estão no fim. Não existe muito espaço para remanejamentos de recursos de uma linha para outra, mas ajustes pontuais sempre podem ser realizados. Entre as linhas de crédito rural para investimentos, uma das que estão com demanda mais aquecida é o Moderfrota, voltada à aquisição de máquinas. Nessa frente, os desembolsos subiram 90% de julho a setembro, para R$ 3,5 bilhões. Se contabilizados os recursos livres do BB aplicados com as mesmas taxas, o montante sobe para R$ 4 bilhões.

Múltis de insumos elevam aposta em agricultura digital

As ferramentas digitais deixaram de ser um penduricalho no portfólio das maiores empresas de insumos agrícolas, informou o Valor Econômico nesta terça-feira (6). Seu potencial ainda é inestimável, segundo especialistas, mas o segmento começou a ganhar vida própria na estrutura das grandes multinacionais, com divisões e porta-vozes exclusivos e a missão de transformar a onda em resultados. Em companhias como Syngenta, Bayer, Basf e Corteva, as soluções digitais são tratadas como um hall de serviços capaz de gerar receita e atrair clientes em um mercado competitivo e com orçamentos de pesquisa e desenvolvimento na casa de bilhões de euros e dólares. Na alemã Bayer, maior empresa de sementes e biotecnologias do mundo, Mateus Barros assumiu a recém-criada área de Digital e Novos Modelos de Negócios para a América Latina, seguindo uma linha próxima à adotada pela empresa na Ásia e Europa para concentrar várias frentes do digital sob a batuta de um único gestor. Não estão sob seu guarda-chuva a Orbia (de venda online de insumos e commodities) nem a incubadora de startups da Bayer – que ficará na sede da companhia na capital paulista e começará a operar no ano que vem. Pelo uso do Field View, por exemplo, a empresa cobra cerca de R$ 15 por hectare, mas também oferece aos clientes fiéis licença gratuita. Por ano, a Bayer investe € 2,5 bilhões em P&D, dos quais boa parte (não-revelada) é direcionada ao digital. A Climate, um dos seus principais ativos, veio da compra ainda da Monsanto, que incorporou a startup em 2013, por US$ 930 milhões. Na alemã Basf, Almir Araújo ocupa há poucas semanas o novo cargo de Diretor de Digital, Novos Negócios e Excelência Comercial da empresa para a América Latina e defende os “ecossistemas de inovação”. Em 2016, a Basf entrou de vez para o digital com um programa de aceleração de agtechs, o Agrostart, que no ano passado passou a fomentar também o intraempreendedorismo na empresa e a dialogar com o Basf Venture Capital (BVC), que já destinou US$ 4 milhões a um fundo da gestora SP Ventures. Na área agrícola, a Basf, terceira maior do mundo em químicos e quarta em sementes, investe € 900 milhões por ano em P&D. Na suíça Syngenta, controlada pela ChemChina, integrante do Syngenta Group e maior empresa de agrotóxicos do mundo, os serviços digitais ganharam, em junho, uma holding dirigida pelo executivo Greg Meyers. Formada pelas quatro startups da companhia, a Syngenta Digital tem orçamento independente, de dezenas de milhões de dólares, e reúne as americanas Ag Connections e FarmShots (de soluções de gestão financeira e imagens de satélite); a brasileira Strider (de monitoramento de pragas); e a ucraniana Cropio (de gestão de maquinário), monitorando por uma única plataforma 30 milhões de hectares, que em dois anos devem chegar a 45 milhões. Na americana Corteva, que investe US$ 1,2 bilhão em P&D por ano, e está na quarta colocação no mercado de agroquímicos e segunda em sementes, as soluções digitais para a agricultura estão sendo desenvolvidas, sobretudo, pela subsidiária Granular, startup americana adquirida pela DuPont em 2017 por US$ 300 milhões – que tem 5 milhões de hectares monitorados em quatro países, sendo quase 3 milhões deles no Brasil.

Anvisa pode autorizar uso de estoques de paraquate

A proposta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para permitir o uso dos estoques do herbicida paraquate, que será votada nesta quarta-feira (7), não agradou o setor produtivo. Segundo o Valor Econômico apesar de autorizar a aplicação do defensivo já comprado por produtores e cooperativas até 31 de julho do ano que vem — a depender da cultura e região do país —, a nova resolução acaba com a possibilidade de apresentação de novos estudos e evidências científicas para embasar pedidos de revisão do banimento total do produto. A bancada ruralista vai tentar aprovar no Congresso Nacional um projeto que susta a decisão de proibição. Fontes que acompanham a discussão dizem que o Palácio do Planalto vai apoiar a aprovação do projeto de decreto legislativo 404/2020, do senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), para sustar a decisão da Anvisa que proibiu o uso do paraquate no Brasil a partir de 22 de setembro deste ano. A medida foi tomada, segundo o parlamentar, com “viés político” ainda em 2017. A avaliação é de que o governo entendeu o potencial prejuízo do banimento aos produtores e à população, com alta nos preços dos alimentos. A análise em Brasília é que a agência foi “radical” e que existe tecnologia capaz de garantir a segurança na aplicação do herbicida. Nos bastidores, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) já se articula para a votação, ainda sem data marcada. O que vai para votação, efetivamente, na reunião de diretoria da Anvisa nesta quarta-feira, é a proposta de resolução do presidente, Antônio Barra Torres, para permitir o uso dos estoques do paraquate. A minuta disponibilizada pela agência, no entanto, revoga um trecho da norma em vigor que permitia a apresentação de novos estudos até a data de proibição total — em setembro — que poderiam embasar uma revisão da decisão. O setor esperava a definição de um novo prazo para a entrega de duas pesquisas que estão em andamento, uma financiada pelos produtores de soja e outras duas pela indústria de agroquímicos. A resolução que vai para votação autoriza a aplicação do herbicida nas culturas de soja, algodão, milho, cana-de-açúcar, feijão, café, trigo, batata, maçã e citrus. As datas são diferentes de acordo com a região de cultivo. Produtores de soja do Centro-Oeste, Sul e Sudeste poderão usar o produto até 31 de maio de 2021. Já os do Norte e Nordeste terão prazo até 31 de julho. A data é a mesma para os cafeicultores de todas as regiões. Para algodão, feijão, milho, batata e citrus em todo o país o limite será 31 de março do ano que vem. Quem cultiva cana-de-açúcar poderá usar o paraquate em estoque até 30 de abril de 2021. O trigo do Sul, Sudeste e Centro-Oeste ganhará prazo até 31 de agosto do ano que vem. Já os produtores de maçã devem encerrar as aplicações em 31 de outubro deste ano. A resolução legaliza as aplicações ocorridas de 22 de setembro até agora e permite que as cooperativas de agricultores possam distribuir aos cooperados o paraquate em estoque. O prazo de recolhimento do produto pelas empresas fabricantes passa para 30 dias após o término dos novos limites, de acordo com cultura e região. A fiscalização e monitoramento da aplicação do paraquate devem ser regulamentados por uma instrução normativa conjunta, a ser elaborada em parceria com o Ministério da Agricultura. A norma deve conter também as estratégias para o gerenciamento do risco frente à exposição ocupacional e o cancelamento dos registros.

NA IMPRENSA

Folha de S.Paulo – Ministério da Agricultura encontra fungos, ácaros e bactérias em sementes da China

Folha de S.Paulo – Mesmo com safra recorde em 2021, consumidor pagará caro por alimento

G1 – Governo afirma ter encontrado fungos, ácaro e possíveis plantas daninhas em sementes misteriosas

Valor Econômico – Demanda por crédito rural dispara

Valor Econômico – Múltis de insumos elevam aposta em agricultura digital

Valor Econômico – Onda de calor afeta produção de hortifrútis no país

Valor Econômico – Conselho da SLC aprova emissão de até R$ 480 milhões em CPRs

Valor Econômico – Syngenta Group anuncia aquisição da italiana Valagro

Valor Econômico – Anvisa pode autorizar uso de estoques de paraquate

Valor Econômico – Brasil ameaça denunciar Reino Unido na OMC por discriminação

Valor Econômico – Ourofino Agrociência investe na oferta de serviços digitais

Valor Econômico – Atomic Agro passa a oferecer serviços gratuitos ao produtor

Mapa – Mapa divulga lista com 75 projetos selecionados no edital do AgroResidência

Mapa – Importação de sementes e mudas deve atender a requisitos estabelecidos pelo Mapa

Mapa – Mapa concede entrevista coletiva sobre sementes não solicitadas

Mapa – Mapa promove videoconferência para avaliar seguro agrícola de cana-de-açúcar

CNA – Agronordeste: em meio à pandemia, horticultor aprende a produzir suas próprias mudas e expande negócio

CNA – Ministério da Agricultura aumenta percentual de subvenção do seguro rural para o café

CNA – CNA levanta custos de produção de cana, café e pecuária de corte

Embrapa – Curso da Embrapa vai apresentar práticas para redução do consumo de água na propriedade rural

Embrapa – Vídeos apresentam desenvolvimento do BiomaPhos

Agrolink – “Sementes não solicitadas têm risco real”, diz Mapa

Agrolink – Gigante do agro faz aquisição para avançar em biológicos

Agrolink – Açúcar: otimismo no mercado financeiro e sinal de oferta apertada fazem preços subirem

Agrolink – Larvas podem substituir antibióticos

Agrolink – RS: preservação de abelhas beneficia os produtores do Litoral Norte

Agrolink – Agrishow Experience proporcionou 20 horas de conteúdo

Agrolink – Dicas argentinas para cultivo de mudas

Agrolink – China prefere comprar processados em vez de matéria-prima

Agrolink – Europa aposta na ‘Blue Biotechnology’

Canal Rural – Vendas de máquinas agrícolas e tratores recuam 7% por falta de peças

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O Boletim NK, produzido pela NK Consultores Relações Governamentais, é uma compilação das principais notícias publicadas em meios de comunicação do país sobre temas ligados ao setor.

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