Inserção digital deve se acelerar no campo depois da pandemia

//Inserção digital deve se acelerar no campo depois da pandemia
Estudo realizado pela consultoria McKinsey com 750 agricultores, de cinco culturas diferentes e 11 estados, sobre suas tomadas de decisão e comportamento na Era Digital mostrou que 85% deles usa o aplicativo de mensagens WhatsApp diariamente para fins relacionados à agricultura, que 36% fazem compras pela internet para a fazenda e que um em cada três já considera vender sua produção online, destacou o Valor Econômico nesta sexta-feira (8). Concluído em fevereiro, o estudo sinaliza para tendências que num mundo pós-covid devem se mostrar ainda mais arraigadas, diante da aceleração que esse processo ganhou com o distanciamento social, segundo Nelson Ferreira, sócio sênior da McKinsey. De olho em sete frentes (compra de insumos; de maquinário; planejamento da safra; financiamento e gestão de risco; inovação e tecnologia; comercialização da produção e sustentabilidade), a consultoria descreveu cinco grupos de agricultores e chamou a atenção para alguns comportamentos identificados no público geral. O grupos foram: do empreendedor de grãos, voltado ao crescimento com sofisticação; do antenado com tecnologia, formado por produtores de algodão e grãos; de jovens do setor de hortifrúti, mais auto-orientados e avessos ao risco; dos produtores artesanais, em sua maioria de café, guiados por qualidade e mais conservadores quanto a novas tecnologias e de membros de cooperativas, mais tradicionais. Apesar das diferenças observadas, 39% do universo base considerou a segurança digital como a principal barreira à compra online, seguida da preferência pelo contato pessoal, 25% dos casos. “É importante frisar que o produtor quer o relacionamento técnico com o fornecedor, mas não necessariamente estar cara a cara”, explicou Ferreira. Conforme a pesquisa, o hábito de compra de insumos agrícolas pela internet no Brasil (de 36% dos entrevistados) é, inclusive, superior ao observado nos EUA, onde 24% recorrem a essa modalidade. “O agricultor brasileiro é antenado à tecnologia e, como o desafio da conectividade é muito maior na plantação do que na sede da fazenda, não interfere na compra de insumos”, disse. Para investimentos em máquinas, porém, ainda há prevalência das compras nas lojas físicas, estando os agricultores mais propensos a comprar somente peças sem sair de casa. Os homens e mulheres do campo também estão ávidos por testar o que há de novo no mercado de insumos e 43% experimentam regularmente diferentes marcas em busca de maior produtividade. Novos testes são mais frequentes com sementes (39%) do que defensivos (30%) e fertilizantes (36%). No que tange à agricultura de precisão, 47% afirmaram que usam pelo menos uma ferramenta, ao passo que 33% usam duas ou mais. O interesse maior é dos mais jovens por inovação e as soluções tecnológicas mais comuns são aplicação de insumos a taxas variáveis, usando mapas de solo, além de drones para fins diversos. Mas a fluência tecnológica ainda é limitada, sendo patente a sensação de que faltam vendedores treinados para esmiuçar o que fazem as tecnologias e como podem gerar corte de custos ou aumento de produção nas fazendas. Entre os entrevistados especificamente da área de algodão e grãos do Matopiba e dos Cerrados, 26% se disseram dispostos a testar novas tecnologias sem um histórico comprovado. Na cultura do café, verduras e legumes, cana-de-açúcar e grãos no Sul do Brasil, a média foi de 6%. Para Ferreira, os números são altos, dado que o agricultor é um empresário com grandes desafios.

Tecnologias garantem qualidade e baixam custo em lavouras perenes

Com especificidades de manejo e uma grande quantidade de maquinário e mão de obra no campo, necessária no trato de lavouras mais sensíveis, os produtores brasileiros de culturas perenes como café e laranja estão cada vez mais atentos às novas tecnologias, que vêm lhes permitindo manter um controle de custos rígido durante a pandemia, informou o Valor Econômico nesta sexta-feira (8). Edélcio de Oliveira Júnior, que dirige o negócio de laranja da família Branco Peres – iniciado em 1979 pelo avô de sua esposa, Deolindo Branco Peres -, conta que a opção por aderir ao uso de sistemas de gerenciamento da produção veio com a busca por um melhor desempenho operacional, mas que, neste momento, o investimento ganhou importância porque a empresa faz contratos tanto em dólar como em real e já sentiu um aumento nos gastos com insumos, já que boa parte deles é negociada em moeda americana. Com atividades também nos ramos de café, cana, pecuária, armazenagem e saneamento, o Grupo Branco Peres administra 13 fazendas de laranja no interior de São Paulo, com uma área total de 9 mil hectares onde foi implantado um software de gestão agrícola da startup Solinftec no ano passado. Entre outros diagnósticos, o software identificou, por exemplo, que o tempo de motor ocioso nas propriedades era equivalente ao de um trator parado todos os dias do ano. “Era dinheiro que estávamos perdendo, mas que era invisível”, afirma Oliveira Júnior. A ferramenta está sendo utilizada no monitoramento da aplicação de insumos num parque citrícola formado por 4,5 milhões de árvores onde são produzidas de mil a 1,2 mil caixas de 40,8 quilos de laranja por hectare por ano, com a ajuda de 200 tratores e, no pico da safra, até 2,2 mil funcionários. Segundo Júnior, cada árvore do pomar é vista pela família como um patrimônio, e o que se quer é aproveitar ao máximo sua vida útil. “A longevidade depende do que eu faço nesta safra, mas também na outra e na outra e, por isso, a padronização das operações tem total importância para nós”, observa.

Lei do Agro: impactos na recuperação judicial

De acordo com artigo de Alexei Bonamin, advogado e professor, é head das áreas de Mercado de Capitais, Bancária e Operações Financeiras de TozziniFreire e  Liv Machado, sócia na área de Reestruturação e Recuperação de Empresas de TozziniFreire, publicado no Blog Fausto Macedo do jornal O Estado de S.Paulo nesta sexta-feira (8), a Medida Provisória (MP) nº 897/2019, que trouxe importantes alterações para o setor do agronegócio, foi recentemente convertida na Lei nº 13.986, em 7 de abril de 2020. Uma das principais inovações trazidas pela Lei nº 13.986/2020 é a possibilidade de constituição de patrimônio de afetação sobre a totalidade ou uma fração do imóvel rural como garantia em operações de crédito, que deverá estar necessariamente vinculada à Cédula de Produto Rural (CPR) ou à recém-criada Cédula Imobiliária Rural (CIR), novo título de crédito que pode ser emitido pelo proprietário de imóveis rurais pessoa física ou jurídica que houver constituído patrimônio de afetação sobre o imóvel rural. A nova previsão legal é importante para o proprietário de imóvel rural, pois permite o fracionamento do imóvel para a constituição de múltiplas garantias em diferentes operações de crédito, conferindo assim maior acesso ao crédito. Anteriormente, as garantias eram criadas sobre a totalidade do imóvel rural – o que nem sempre era interessante aos proprietários, pois geralmente o valor do imóvel era superior ao valor do crédito garantido. Ainda, o proprietário de imóvel rural também já poderia conceder a hipoteca do imóvel em diferentes graus. No entanto, tal solução conferia menor segurança ao credor, na medida em que a hipoteca se sujeita aos efeitos da recuperação judicial e o bem hipotecado é arrecadado no processo de falência. Além disso, poderia tornar mais dificultosa a execução de hipoteca em garantia aos credores que sobreviessem ao credor com a hipoteca de primeiro grau. Assim, o § 4º do artigo 7º da Lei nº 13.986/2020, além de ter inovado ao dispor que o patrimônio de afetação sobre o imóvel rural não se sujeita aos efeitos da decretação de falência – o que já era previsto na Lei nº 11.101/2005 (Lei de Recuperação de Empresas e Falências – LRF) e na Lei nº 4.591/1964 (de incorporação imobiliária) –, também inovou ao dispor expressamente pela primeira vez no ordenamento jurídico pátrio que um tipo de patrimônio de afetação não se sujeita aos efeitos da recuperação judicial. A Lei nº 13.986/2020 também é inovadora ao prever que eventual informação prestada pelo emitente da CPR sobre a essencialidade dos bens móveis e imóveis dados em garantia fiduciária deverá constar na cédula a partir do momento de sua emissão. A LRF prevê que durante o prazo de suspensão de execuções e ações contra o devedor de 180 (cento e oitenta) dias, a venda ou a retirada do estabelecimento do devedor dos bens de capital essenciais a sua atividade empresarial é vedada, ainda que se trate de garantia fiduciária, que não se sujeita aos efeitos da recuperação judicial. Ainda, a Lei nº 13.986/2020 confere maior abrangência à alienação fiduciária de produtos agropecuários e seus subprodutos no âmbito da CPR, podendo recair sobre bens presentes ou futuros, fungíveis ou infungíveis, consumíveis ou não, cuja titularidade pertença ao fiduciante, devedor ou terceiro garantidor.

Produtores rurais contrataram R$ 156,6 bi em crédito de julho de 2019 a abril deste ano

Os financiamentos do Plano Safra 2019/2020 contratados pelos produtores rurais, entre julho de 2019 e abril deste ano, somaram R$ 156,6 bilhões, aumento de 12% em comparação a igual período da safra passada. Os números fazem parte do Balanço de Financiamento Agropecuário da Safra 2019/2020 divulgado nesta sexta-feira (8) pela Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Mapa, com base nos dados do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central. Das aplicações em custeio (total de R$ 86,5 bilhões, alta de 12%), R$ 20,2 bilhões foram contratados por médios produtores rurais (Pronamp – Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor), um aumento de 40% em relação à safra anterior, com quase 136 mil contratos. Os agricultores familiares (Pronaf – Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) contrataram R$ 12 bilhões (16%), com 417,5 mil contratos. As contratações na linha de investimentos totalizaram R$ 42 bilhões no período analisado, alta de 19%. Os médios produtores contrataram R$ 2,2 bilhões (108%), com 18,2 mil contratos. Já os financiamentos aos pequenos agricultores contabilizaram R$ 11,1 bilhões, alta de 17%, com 783 mil contratos. Entre os programas de investimentos, tiveram destaque o Pronamp (+108%), o Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica – Inovagro (+66%) e o Programa ABC (+47%). O diretor de Crédito e Informação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wilson Vaz de Araújo, destaca o crescimento do crédito para investimento contratado pelos médios produtores. “Este desempenho, entre outros fatores, resultou da possibilidade dos médios produtores terem acesso exclusivo aos créditos de investimento, concedidos com recursos obrigatórios provenientes dos depósitos à vista. E a abrangência do Pronamp foi ampliada, pela incorporação de maior número de médios produtores beneficiados, sendo de 19% o aumento no número de contratos de custeio, enquanto para os demais produtores, não familiares, houve redução de 29%”, disse. Os financiamentos para comercialização apresentaram recuo de 14%, com R$ 18 bilhões e 19,2 mil contratos. Já a linha de industrialização somou quase R$ 10 bilhões (68% de alta) e 974 contratos. “O crescimento das contratações nas diferentes modalidades de financiamento (custeio, investimento, industrialização) e por todas as categorias de produtores (pequenos, médios, grandes e cooperativas), apesar das reconhecidas dificuldades enfrentadas por determinadas cadeias de produção, a exemplo de flores e pescados, traduz-se num indicativo de confiança e expectativas positivas àqueles direta ou indiretamente envolvidos no processo produtivo agrícola. A agropecuária segue adiante”, ressalta o diretor

NA IMPRENSA

O Estado de S.Paulo – Desmatamento na Amazônia, mesmo com pandemia de coronavírus, continua em disparada

O Estado de S.Paulo – Lei do Agro: impactos na recuperação judicial

Valor Econômico – Assembleia da Atvos deverá ser suspensa e adiada para 19 de maio

Valor Econômico – Tecnologias garantem qualidade e baixam custo em lavouras perenes

Valor Econômico – Movimentação de granéis sólidos no porto de Paranaguá cresceu 44% em abril

Valor Econômico – Anfavea defende isolamento e alerta para impacto de crises políticas

Valor Econômico – Justiça interdita abatedouro da BRF em Lajeado (RS) por 15 dias

Valor Econômico – Commodities: Depreciação do real pressiona café na bolsa de NY

Valor Econômico – Commodities: Negociações entre EUA e China impulsionam preços de soja e milho na bolsa de Chicago

Valor Econômico – Inserção digital deve se acelerar no campo depois da pandemia

CNA – Estante Virtual: Plataforma do Senar disponibiliza gratuitamente cartilhas a produtores e trabalhadores rurais

CNA – Debate Agro Online na próxima terça-feira, dia 12

CNA – Pandemia: apesar da recessão mundial, agro do PR deve manter ritmo de exportações

CNA – Federação da Agricultura e Senar-ES entregam máscaras e álcool para Sindicatos Rurais

CNA – Faculdade CNA debate inovação tecnológica como ferramenta de comercialização do agro

CNA – Governo divulga orientações sobre o trabalho no meio rural durante a pandemia

Mapa – Produtores rurais contrataram R$ 156,6 bi em crédito de julho de 2019 a abril deste ano

Mapa – Mapa publica zoneamento do arroz e do algodão

Mapa – Mapa publica lista de produtos da agricultura familiar com desconto em maio

Embrapa – EMATER–MG lança cartilha sobre prevenção do coronavírus durante a colheita do café

Embrapa – Laboratório de Análises de Azeites da Embrapa está credenciado pelo Mapa

Embrapa – Artigo – O ponto ideal de colheita do café vai além da cor

AgroLink – Quais são as inovações do crédito rural?

AgroLink – Agricultura familiar começa a entregar frutas, legumes e verduras para doação

AgroLink – Cooperativas disponibilizam compras online e delivery de alimentos da agricultura familiar

AgroLink – PIB do Brasil pode encolher 21% em cinco anos

AgroLink – Cloroquina e o uso de produtos para proteção de plantas

AgroLink – Rally da Safra realiza evento online gratuito para produtores do MAPITOBA

AgroLink – Máquinas têm queda de mais de 60% na produção

AgroLink – As mudanças e oportunidades da agricultura brasileira

AgroLink – Índia planeja reforma agrícola depois da pandemia

AgroLink – Biológicos crescem em ritmo acelerado

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O Boletim NK, produzido pela NK Consultores Relações Governamentais, é uma compilação das principais notícias publicadas em meios de comunicação do país sobre temas ligados ao setor.

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