Fechamento de frigoríficos nos EUA gera abate de animais por asfixia, afogamento e tiro

//Fechamento de frigoríficos nos EUA gera abate de animais por asfixia, afogamento e tiro
De acordo com publicação da Folha de S.Paulo desta terça-feira (19), uma nova polêmica tomou frigoríficos americanos durante a pandemia do coronavírus: milhões de animais de criação estão sendo abatidos com métodos cruéis, que vão de asfixia a tiro, mesmo com a demanda sem precedentes por alimentos no país. Desde o início da crise, dezenas de plantas foram fechadas nos EUA por causa da contaminação por Covid-19 e, sem processar porcos e aves, empresas têm abatido os animais não utilizados. Segundo o jornal The Guardian, estima-se que cerca de 10 milhões de galinhas foram abatidas desde o início da pandemia, a maioria delas sufocada por uma espécie de espuma à base de água, semelhante à usada no combate a incêndios, método considerado desumano por especialistas. A indústria de suínos, por sua vez, alertou que mais de 10 milhões de porcos podem ser abatidos até setembro pelo mesmo motivo. As técnicas nesse caso incluem uso de gases tóxicos, overdose de analgésico, tiro, trauma por força, e até a variação de temperatura para que, com o calor, os animais comam menos. De acordo com a Associação Americana de Medicina Veterinária (AVMA, na sigla em inglês), em “circunstâncias restritas” podem ser utilizadas técnicas que combinem o desligamento da ventilação no ambiente de criação dos porcos com adição de CO2 para, dessa forma, os animais sufocarem. Os métodos cruéis são mais um grave problema que coloca os frigoríficos dos EUA sob holofotes. A queda de produção diminuiu o abastecimento em termos de carne bovina, suína e aves no país, e preocupou empresas e o governo americano. Já houve caso em que uma das gigantes de alimentos, a JBS USA, por exemplo, foi processada pela família de um funcionário morto por Covid-19. A acusação é de que a empresa foi negligente ao não fornecer as medidas de segurança e higiene necessárias e manter a planta em funcionamento apesar da pandemia. Preocupado com os danos econômicos da pandemia em sua campanha à reeleição, o presidente Donald Trump decidiu intervir no setor e assinou no fim do mês passado uma ordem executiva para que os frigoríficos se mantenham abertos. ​ Baseado no Ato de Defesa da Produção, criado em 1950 para garantir a produção nacional, Trump quer evitar problemas de abastecimento mas empresas dizem que a medida não tem adiantado.​ De acordo com relatório do Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês), 115 instalações de processamento de carnes e aves reportaram diagnósticos de Covid-19 entre seus quadros, em 19 dos 50 estados americanos. Dos 130 mil trabalhadores desses locais, 4.913 tiveram casos foram confirmados, e de 30 a 40 plantas foram fechadas. Com cerca de 60 fábricas nos EUA, a JBS USA afirma que fechou temporariamente ao menos quatro delas para “contribuir com a saúde pública”, mas todas já voltaram às atividades, algumas com capacidade reduzida. Além da JBS USA, outras gigantes da carne fecharam algumas de suas plantas este ano e alegam queda de produção de até 50% nos EUA. Entre elas, estão a Tyson Foods e a Smithfield Foods. Os fechamentos, mesmo que temporários, fizeram com que a produção de carne bovina caísse 25%, enquanto a de porco despencasse 40%. A Tyson, por exemplo, estima que sua produção de suínos caiu 50% desde o início da pandemia.

Abatedouro da JBS é interditado em Santa Catarina

Auditores fiscais do Trabalho interditaram, nesta segunda-feira (18), o abatedouro de aves da Seara, que pertence à JBS, em Ipumirim (SC). A planta deve ficar interditada até que a companhia comprove a adoção de medidas de proteção aos trabalhadores contra a covid-19. A empresa vai recorrer judicialmente da decisão. No momento, a JBS tem dois frigoríficos interditados – a unidade de Passo Fundo (RS) segue paralisada. Conforme os auditores do trabalho, 86 funcionários da unidade já tiveram diagnóstico confirmado para o novo coronavírus. Mais de 40 desses trabalhadores, porém, estão curados, de acordo com uma fonte próxima à companhia. “Os casos confirmados na planta industrial representam aproximadamente 14% dos contaminados em toda a Macrorregião Oeste e Serra, e quase 2% de todos os casos do Estado de Santa Catarina”, informaram os auditores do trabalho. Segundo o procurador Anderson Corrêa da Silva, do Ministério Público do Trabalho (MPT), os auditores determinaram a interdição da fábrica porque a JBS não teria adotado medidas adequadas para a busca ativa de funcionários com sintomas da doença. “Houve pelo menos um caso de um trabalhador que trabalhou efetivamente na linha de produção com teste confirmado para covid-19”, afirmou o procurador do trabalho. Perguntado pela reportagem, Silva não forneceu detalhes sobre a data do exame feito por esse trabalhador e os dias que ele teria ido para o abatedouro da Seara após o resultado. De acordo com o procurador, a JBS também não teria implementado as medidas de espaçamento adequado em alguns setores da unidade, que estariam sem anteparos entre os funcionários de algumas áreas do abatedouro. A empresa também teria se recusado a reduzir o nível de produção, o que permitiria maior distanciamento entre os funcionários. “Os auditores não tiveram alternativa. A interdição não ocorreu de qualquer jeito. O auditor não chegou botando o pé na porta. Eles ficaram quase uma semana na planta e só interditaram porque não tinha jeito, porque a empresa se nega a negociar”, acrescentou Corrêa da Silva. O procurador frisou que a decisão é dos auditores fiscais, mas ressaltou que o MPT vem acompanhando o caso de perto. Ele também criticou a postura da JBS de não negociar com o MPT. Outras empresas, como BRF e Aurora, firmaram Termos de Ajuste de Conduta (TAC) com o órgão, estipulando as medidas de proteção. Embora tenha assinado compromisso com o MPT, a disseminação da covid-19 no oeste catarinense pode fazer com que a BRF seja obrigada a limitar a produção no abatedouro de Concórdia para conter a doença. “Essa ideia está na mesa”, disse o procurador ao Valor Econômico. “A BRF já assumiu diversas obrigações conosco. Nós estamos fiscalizando e pensando em outras medidas adicionais”, frisou.

China deverá ampliar importações de soja na próxima década, mas reduzir compras de carnes

A China vai continuar a liderar as importações globais de grãos e reduzir as compras de carnes no exterior na próxima década, período no qual também poderá se tornar um destino mais importante para os embarques brasileiros de frutas, ovos, lácteos e pescados, informou o Valor Econômico nesta terça-feira (19). É o que destaca a Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade (InvestSP), ligada à Secretaria de Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo, a partir de projeções divulgadas no relatório “China Agricultural Outlook 2020-2029”, produzido a partir de conferência realizada recentemente em Pequim. Depois de importar 88,6 milhões de toneladas de soja em grão em 2019, 65% do Brasil, o país asiático deverá ampliar em cerca de 1% ao ano suas compras do grão no exterior nos próximos dez anos, que poderão alcançar 100 milhões de toneladas em 2029. A tendência é que o país, cuja demanda para a produção de rações será crescente, se mantenha como principal destino das exportações brasileiras da oleaginosa, carro-chefe do agronegócio nacional. Para as importações chinesas de carne suína, a estimativa é de aumento de 30% em 2020, para 2,8 milhões de toneladas, ainda por causa dos problemas causados pela peste suína africana, mas a partir do ano que vem a expectativa já é de redução, tendo em vista a expectativa de recuperação da produção doméstica — daí a nece. Em 2029, o volume deverá ficar abaixo de 2 milhões de toneladas. No caso da carne de frango, estima-se que as importações da China cheguem a 860 mil toneladas neste ano, ante 779 mil em 2019, mas o volume deverá recuar para 590 mil toneladas em 2029, em consequência do incremento da produção interna. O mercado chinês é o principal destinos das exportações de carnes do Brasil. “Vale lembrar que a China não é um mercado simples. O relacionamento próximo com os importadores e também com o governo é um fator determinante para o sucesso das empresas que queiram entrar nesse mercado ou mesmo ampliar sua presença”, afirma José Mario Antunes, diretor do escritório da InvestSP em Xangai, em comunicado.

Associação ajuíza ADI contra normas de Mato Grosso que exigem contribuição sobre exportação de carne bovina

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) ajuizou, nesta segunda-feira (18), no Supremo Tribunal Federal (STF) a Ação Direta de inconstitucionalidade (ADI) 6420, contra leis e decretos estaduais de Mato Grosso que exigem a contribuição ao Fundo Estadual de Transporte e Habitação (FETHAB) sobre as exportações de carne bovina. Segundo a associação, a contribuição ao fundo seria, na verdade, uma parcela do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) exigida como condição para o gozo da sua não incidência nas exportações, contrariando o artigo 155, parágrafo 2º, inciso X, da Constituição Federal, que veda a cobrança do tributo sobre produtos a serem exportados. A Abiec alega que as regras impugnadas sujeitam o contribuinte que não paga a contribuição ao FETHAB nas exportações diretas ou indiretas de carne bovina à incidência e ao cálculo do ICMS a cada operação, e não pelo regime mensal de débito e crédito, nas saídas interestaduais que realizar. De acordo com a associação, a contribuição ao FETHAB equivale hoje a R$ 43,93 por tonelada de carne bovina exportada, e, desde fevereiro de 2019 (quando as normas passaram a vigorar), seus associados exportaram mais de 450 mil toneladas do produto a partir de Mato Grosso. O relator da ADI 6420 é o ministro Gilmar Mendes.

NA IMPRENSA

Folha de S.Paulo – Fechamento de frigoríficos nos EUA gera abate de animais por asfixia, afogamento e tiro

Folha de S.Paulo – Conheça Harley, cão terapeuta que alivia estresse de médicos

G1 – População do Crato denuncia maus-tratos a animais

G1 – Animais de rua sofrem ainda mais sem alimentação durante a pandemia, em CG

G1 – Profissionais do Bioparque do Rio continuam cuidando dos animais durante a pandemia

G1 – Quase 60 animais são achados em situação de maus tratos em imóvel na região metropolitana de Salvador: ‘Cena horrível’

G1 – Parque de animais marinhos celebra nascimento de sua 2ª geração de golfinhos na França

G1 – Cadela da Polícia Civil do Ceará doa sangue para salvar outro cão com doença do carrapato

G1 – Cavalo cai enquanto pastava em lote vago e fica com a cabeça presa em buraco

Valor Econômico – Variação cambial levou Marfrig a prejuízo no 1º tri

Valor Econômico – China deverá ampliar importações de soja na próxima década, mas reduzir compras de carnes

Valor Econômico – Abatedouro da JBS é interditado em SC

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Embrapa – O que está acontecendo com a relação de troca bezerro/boi gordo?

CNA – CNA apresenta propostas do Plano Agrícola e Pecuário para Frente Parlamentar da Agropecuária

CNA – CNA debate proposta de regularização fundiária

CNA – CNA debate oportunidades para o agro na China

CNA – 2020: no primeiro trimestre, abate de ovinos cresce 183% em MS comparado ao ano passado

CNA – Fepsa e FAES reforçam cuidados durante período de vacinação contra febre aftosa

AgroLink – Marfrig tem melhor primeiro trimestre da história

AgroLink – Maior oferta de boiadas para abate e consumo interno fraco

AgroLink – Oferta restrita de couro dita o rumo do mercado

AgroLink – Bahia: maior demanda por categorias jovens de bovinos

Anda – ‘Fascínio pela proteína animal’ pode levar a novas pandemias, diz epidemiologista

Anda – Cientistas infectam hamsters com coronavírus para explorá-los em estudo

Anda – Exportação de animais vivos não acabará “tão cedo” no Brasil

Anda – Consumidores repensam hábitos diante da violência nos matadouros

Anda – Cachorro perdido volta para casa após ser atropelado e cair em canal em SP

Anda – Cadelas buscam um lar após enfrentarem a dor de perder tutor para Covid-19

Anda – Criança escreve carta para se oferecer para ser babá do cão de seus vizinhos

Anda – Jardim do tamanho de campo de futebol reúne mais de 300 tipos de ervas medicinais

Anda – “Os Protetores”: super-heróis em defesa dos animais e do meio ambiente

Anda – Cientistas viciam macacas grávidas em nicotina e álcool

STJ – Associação ajuíza ADI contra normas de MT que exigem contribuição sobre exportação de carne bovina

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O Boletim NK, produzido pela NK Consultores Relações Governamentais, é uma compilação das principais notícias publicadas em meios de comunicação do país sobre temas ligados ao setor.

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