Estudo aponta que defensivo agrícola mais usado do Brasil está associado a 503 mortes infantis por ano

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O glifosato é o agrotóxico mais popular do Brasil. Ele representa 62% do total de herbicidas usados no país e, em 2016, as vendas desse produto químico em milhares de toneladas foi superior à soma dos sete outros pesticidas mais comercializados em território nacional, destacou a Folha de S.Paulo nesta terça-feira (25). Associado à produção de soja transgênica, o herbicida contribuiu para que o Brasil se tornasse o maior produtor do grão no mundo, superando os Estados Unidos. Com isso, o PIB (Produto Interno Bruto) dos estados produtores cresceu muito acima da economia do país como um todo nas últimas décadas. E a renda gerada pela atividade agrícola movimentou outros setores econômicos nas regiões produtoras. Mas um estudo realizado por pesquisadores das universidades de Princeton, FGV (Fundação Getulio Vargas) e Insper revela que essa geração de riqueza tem um alto custo: segundo o levantamento, a disseminação do glifosato nas lavouras de soja levou a uma alta de 5% na mortalidade infantil em municípios do Sul e Centro-Oeste que recebem água de regiões sojicultoras. Isso representa um total de 503 mortes infantis a mais por ano associadas ao uso do glifosato na agricultura de soja. “Há uma preocupação muito grande quanto aos efeitos dos herbicidas sobre populações que não são diretamente envolvidas com a agricultura, que não estão diretamente expostas aos agrotóxicos”, observa Rodrigo Soares, professor titular da Cátedra Fundação Lemann do Insper e um dos autores do estudo, ao lado de Mateus Dias (Princeton) e Rudi Rocha (FGV). “Apesar dessas substâncias estarem presentes no corpo de mais de 50% da população ocidental, não sabemos se isso é danoso ou não”, acrescenta o pesquisador. “Nosso artigo é um dos primeiros a mostrar de forma crível que isso deve ser de fato uma preocupação, ao demonstrar a contaminação através dos cursos de água em áreas distantes das áreas de uso, de uma maneira que nunca havida sido feita anteriormente.” A Bayer, dona desde 2018 da Monsanto –empresa que lançou o glifosato no mercado em 1974, sob o nome comercial Roundup– avalia os resultados do estudo como “não confiáveis e mal conduzidos” e diz que a segurança de seus produtos é a maior prioridade da companhia. A Aprosoja (Associação Brasileira dos Produtores de Soja), por sua vez, afirma que “as conclusões apontadas no estudo não parecem serem sustentadas com os fatos científicos e realidade constatada na prática da agricultura brasileira”. Por fim, a CropLife Brasil, uma das entidades que representam o setor de defensivos agrícolas no país, destacou em nota que “há mais de 40 anos, o glifosato tem passado por extensos testes de segurança, incluindo 15 estudos para avaliar a toxicidade potencial para o desenvolvimento humano e 10 estudos para avaliar a toxicidade reprodutiva potencial”.

Uso de defensivos naturais cresce em lavouras do Brasil

O uso do controle biológico no combate de pragas se expande no país, impulsionado pela exigência de redução de danos ambientais no agronegócio, pela demanda do consumidor por comida saudável e pela maior oferta de biodefensivos. Segundo a Folha de S.Paulo ao menos 20 milhões de hectares plantados adotam organismos vivos (insetos, ácaros, vírus, bactérias e fungos) ou substâncias de extratos naturais para evitar perdas, segundo pesquisadores da Embrapa e representantes do setor. A área equivale a um quarto de todo o cultivo agrícola do país, de 80 milhões de hectares. O mercado de biodefensivos deve faturar neste ano R$ 1,789 bilhão, uma alta de 33% sobre 2020. Nos últimos anos, a média de crescimento tem sido de 20%, mas há potencial para avançar muito mais, segundo a CropLife, associação que reúne indústrias e instituições da área. Até 2030, a previsão é mais que dobrar de tamanho e atingir R$ 3,699 bilhões. EUA e Europa respondem juntos por dois terços do mercado global de biológicos, calculado em US$ 5 bilhões em 2020. Na América Latina, o Brasil lidera, com 33%. Produtos biológicos são desenvolvidos a partir de um ingrediente natural, um organismo vivo ou uma planta. Eles não deixam resíduos tóxicos, ao contrário de agroquímicos tradicionais, e eliminam a praga alvo sem agredir o ambiente.Hoje há 433 produtos com uso aprovado por Ministério da Agricultura, Anvisa e Ibama. Em 1991, eram 3. “O controle biológico é essencial para o manejo de doenças e pragas que causam perdas de 37% a 40% à produção agrícola em um país como o Brasil, com clima que favorece a ocorrência de pragas o ano todo”, diz Amália Borsari, diretora-executiva de biológicos da CropLife Brasil. Com a adoção de drones e novas tecnologias, a agricultura 4.0 tem optado pelo manejo integrado de pragas, combinando diferentes estratégias, como defensivos biológicos e químicos, explica Amália. “A combinação é necessária porque ainda não há biodefensivos para todas as pragas, nem para ervas daninhas. Mas as pesquisas avançam.” A presença de biodefensivos e controle biológico ainda é maior no cultivo de frutas, legumes, verduras e orgânicos de forma geral. Mas o uso cresce de forma expressiva em plantações de larga escala, como soja, milho, algodão.

Número de startups no agro aumentou 40%

O Brasil conta atualmente com 1.574 startups atuando no agronegócio, as chamadas agtechs. Em relação a 2019 este número é 40% maior, mostrando crescimento do setor mesmo na pandemia do ano passado, informou o portal AgroLink  nesta terça-feira (25). Os dados são do Radar Agtech Brasil 2020/2021, elaborado em parceria entre a Embrapa, SP Ventures e Homo Ludens Research and Consulting, com apoio do Ministério da Agricultura. São Paulo mantém a liderança em quantidade de agtechs, com 48% do total, mas a Região Nordeste foi onde o estudo encontrou o maior número de novos empreendedores, em comparação com a edição de 2019. A capital paulista, classificada como o 18º ecossistema de startups do mundo, segundo estudo de 2020 da StartupBlink, contribui com 22% do total das agtechs mapeadas. Com 345 startups, a cidade de São Paulo é seguida de Piracicaba (60), Curitiba (59), Rio de Janeiro (54), Campinas (48), Porto Alegre (42), Belo Horizonte (40), Ribeirão Preto (39), Florianópolis (36) e Londrina (28) que, juntas, concentram 47,7% do total de agtechs. O percentual por regiões ficou o seguinte: Sudeste, 62,4% (983); Sul, 25,2% (397); Centro-Oeste, 6,1% (96); Nordeste, 4,6% (72); e Norte, 1,7% (26), representando um aumento no número mapeado de 84,6% das agtechs nordestinas e de 53% no número de startups da Região Norte em comparação com o Radar Agtech Brasil 2019. Além disso, os cinco estados com mais startups do agro são: São Paulo (757), Paraná (151), Minas Gerais (143), Rio Grande do Sul (124) e Santa Catarina (122). O estudo mostra ainda que a maioria das startups que atuam antes da fazenda está voltada à área de Fertilizantes, Inoculantes e Nutrição Vegetal. Dentro da porteira o destaque é para Sistemas de gestão de propriedade rural e, depois da fazenda, para Alimentos inovadores e novas tendências alimentares. O quadro geral com as cinco principais áreas de atuação das agtechs nos segmentos antes, dentro e depois da fazenda ficou assim: Fertilizantes, Inoculantes e Nutrição Vegetal (46); Crédito, permuta, seguro, créditos de carbono e análise fiduciária (42); Análise laboratorial (33); Sementes, mudas e genômica vegetal (24); e Nutrição e saúde animal (19). Dentro da fazenda são: Sistema de gestão de propriedade rural (154); Plataforma integradora de sistemas, soluções e dados (111); Drones, máquinas e equipamentos (79); Sensoriamento remoto, diagnóstico e monitoramento por imagens (70) e Conteúdo, educação, mídia social (58). E depois da porteira as categorias são: Alimentos inovadores e novas tendências alimentares (293); Marketplaces e plataformas de negociação e venda de produtos agropecuários (100); Armazenamento, infraestrutura e logística (57); Mercearia on-line (45); Restaurantes on-line e kit de refeições (39). Outro ponto importante é o aparecimento de cidades pequenas com agtechs como Viçosa (MG), São Carlos (SP) e Chapecó (SC). O estudo também identificou 78 instituições que investiram e apoiaram o empreendedorismo de startups do setor agropecuário no Brasil, possibilitando o acesso a oportunidades de incubação, aceleração e investimentos. Essa informação é crucial para que as startups consigam obter recursos e capital para atingir suas metas de crescimento. Além disso, foi explicitado quais são as 223 agtechs nacionais beneficiadas pelas instituições que aportaram recursos financeiros e/ou de gestão, com destaque para a Região Sudeste, sendo que 62% delas estão no estado de São Paulo. O mapeamento atualizado das startups traz o panorama nacional das empresas de base tecnológica para o agronegócio, contribuindo para dar maior visibilidade ao ecossistema de empreendedorismo e apoiar as políticas públicas. A nova versão do Radar Agtech Brasil será lançada em 28 maio.

Brasil importa 85% dos fertilizantes usados na agricultura

O Brasil, um dos maiores exportadores agrícolas do mundo, ainda é dependente do mercado externo quando se trata de fertilizante. Segundo um balanço da Anda (Associação Nacional para Difusão de Adubos), das 40 milhões de toneladas entregues ao mercado no ano passado, apenas 6 milhões vieram do mercado interno, o que significa que o país importa 85% do produto que consome. Essa desproporção faz com que o mercado fique à mercê do preço do dólar. Os fertilizantes, também conhecidos como adubos, são aditivos importantes para a agricultura para prover nutrientes ao crescimento das plantas. Um dos maiores desafios da indústria neste momento, avalia Marcelo Morandi, chefe-geral de meio​ ambiente da Embrapa, é justamente ter um mercado estável que dê mais opções para o mercado interno. Ele participou do 5º seminário Agronegócio Sustentável, realizado pela Folha de S.Paulo com patrocínio do governo de Mato Grosso, da Mosaic Fertilizantes e da Ambipar. Segundo Morandi, entre os três elementos mais importantes que as plantas precisam, conhecidos como fertilizantes NPK (nitrogênio, fósforo e potássio), o Brasil ainda é dependente dos últimos dois, em especial o potássio, devido às poucas fontes naturais. O governo federal anunciou, em março deste ano, que vai elaborar uma política para ampliar a produção nacional de fertilizantes agrícolas para reduzir a dependência da importação e sustentar uma produção mínima. Para Ricardo Tortorella, diretor-executivo da Anda, o aceno do governo já é um passo importante para o setor, só que, além da questão da dependência, é preciso falar sobre como o fertilizante é aplicado. Nos últimos 40 anos, a produção de grãos no Brasil cresceu mais de seis vezes enquanto a área plantada apenas dobrou. O adubo bem usado é amigo do meio ambiente, continua Tortorella, porque implica menos desmatamento, menos água e menos poluição. Morandi afirma que, fora os grandes produtores superespecializados, que já usam agricultura de precisão, o país ainda tem muitos produtores menores que, por deficiência técnica, fazem aplicação sem uma recomendação ou análise específica do terreno. A gerente de pesquisa, desenvolvimento e inovação da empresa multinacional de resíduos Ambipar, Bianca Ayres, conta que a empresa desenvolveu um condicionador de solo, chamado Ecosolo, que potencializa os fertilizantes, a absorção de nutrientes para a raiz e, consequentemente, a produtividade. O produto faz parte da política de economia circular da empresa. O Ecosolo é feito a partir de resíduos orgânicos da indústria de papel, que passam por processo de biodegradação controlada, que permite eliminar componentes tóxicos, como metais pesados.

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