Embrapa redesenha aproximação com setor privado

//Embrapa redesenha aproximação com setor privado
A pandemia vai alterar o panorama mundial de produção e consumo de alimentos, e deverá acelerar tendências que já se desenhavam para um futuro não tão próximo, destacou o Valor Econômico nesta sexta-feira (28). Para a Embrapa, as mudanças vão exigir mais da pesquisa pública agropecuária para encontrar novos produtos, disseminar tecnologias e adequar pequenos e médios produtores às novas exigências do mercado, em parceria com o setor privado. Nesse contexto, Celso Moretti, presidente da Embrapa, está redesenhando o modelo de integração que a estatal deverá seguir, tônica desde o início de sua gestão, em meados de 2019. “A ideia é nos tornar sócios de empresas privadas em iniciativas pontuais, ao invés de assinar contratos para desenvolver uma tecnologia específica. Vamos dividir riscos, custos e dividendos”. Um dos objetivos imediatos é encontrar variedades de trigo viáveis para a produção no Nordeste. Um dos poucos produtos agrícolas que o Brasil não é autossuficiente, o trigo ligou o alerta da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, depois de restrições de alguns países exportadores para suprir mercados internos na pandemia. O movimento não afetou o Brasil, que importa principalmente de Argentina e Canadá, mas fortaleceu a necessidade de expandir o plantio mirando novas fronteiras agrícolas, como o Matopiba (confluência entre os Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e até no Ceará. Moretti reforça que o novo modelo mais próximo do setor privado é para dar “maior sustentabilidade financeira” à Embrapa no médio prazo para tocar projetos focados em “quatro S”: sanidade do alimento, saúde humana, segurança do alimento e sustentabilidade, tendências e exigências impostas pela pandemia para os próximos 30 anos. Obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares vão influenciar os hábitos de consumo e impactar no tipo de alimento que deve ser produzido, principalmente com a ascensão do público idoso – estimado em 1,5 bilhão de pessoas acima de 65 anos em 2050.

Reforma poderá desestimular processamento de grãos

Reportagem do Valor Econômico desta sexta-feira (28) destaca que, a tendência de alta das exportações brasileiras de grãos poderá ser intensificada com a reforma tributária em análise por deputados e senadores. A possível oneração de insumos e a utilização de créditos presumidos por exportadores de produtos in natura tendem a reduzir as margens das indústrias no esmagamento de soja e milho, apesar do cenário de boa demanda por farelo e biodiesel. A proposta está prevista no projeto de lei do governo federal que cria a Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS) com alíquota de 12% – inclusive sobre os insumos, hoje isentos. “Ela cria um crédito presumido amplo de 15% da alíquota do CBS para quem comprar o produto in natura. Para cada tonelada de soja exportada, terá crédito e não haverá custo e risco de industrializar”, afirma o presidente-executivo da Associação das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar. Se vingar, a medida poderá ser mais um desestímulo à industrialização, a exemplo do que ocorreu a partir de 1996 com a Lei Kandir. “Se hoje exportamos 60% da soja em grão [que produzimos], passaremos a exportar tudo in natura”, diz. A tributação dos grãos para exportação, que poderia equilibrar a relação, é praticamente descartada por interferir no preço pago aos produtores. Segundo Nassar, nesse contexto haverá aumento dos preços internos dos subprodutos e redução da geração de empregos e impostos na cadeia processadora. “Se desestimular a indústria, vai subir o preço de farelo, óleo e ração. É ruim para o setor de carnes e gera um efeito em cadeia em todo o agronegócio”, afirma. A política do crédito presumido combate a cumulatividade de impostos ao longo da cadeia e é restrita atualmente a quem processa internamente os produtos. Hoje, o produtor compra defensivos, adubos e sementes desonerados. As tradings que adquirem a produção e exportam os grãos não recebem créditos na operação, pois o produto enviado ao exterior está “livre de imposto”.

Indústrias não encontram arroz a preços razoáveis, diz associação

De acordo com o Valor Econômico a Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) divulgou, nesta sexta-feira (28), nota afirmando que está disposta a manter a oferta de arroz no Brasil. Entretanto, as indústrias não têm encontrado o produto a preços razoáveis. Segundo a entidade, nos últimos 25 dias, observou-se uma alta de mais de 30% no custo da matéria-prima, além do reajuste já ocorrido em decorrência do aumento da demanda no início da pandemia. “Os preços praticados ultrapassaram em 290% o valor do preço mínimo estabelecido pelo governo federal”, diz a entidade. Conforme o Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea), a saca de arroz em casca é cotada hoje a R$ 89,06 em média, alta de 30,89% no mês. O preço mínimo para o Rio Grande do Sul, maior produtor do Brasil, é de R$ 39,63. “Nas últimas semanas, a indústria tem sofrido enorme dificuldade de acesso à matéria-prima, decorrente da restrição de oferta do arroz, que está concentrada em poder de poucos produtores. Esse movimento tem resultado em falta de referência para comercialização do arroz e na oscilação generalizada nos preços do cereal para cima, tanto para a indústria como para os consumidores”, diz a nota. Sobre o pedido de isenção de Tarifa Externa Comum (TEC) para importação de arroz fora do Mercosul, a Abiarroz esclarece que, “ao perceber a alta descontrolada de preços, comunicou ao setor produtivo e às autoridades competentes a preocupação de que seja mantido o abastecimento regular do produto até a próxima safra e de que haja estabilidade no preço final ao consumidor”. A nota continua dizendo que a entidade “não apoia ataques pessoais a representantes de segmentos ou autoridades e lamenta a disseminação de inverdades de forma irresponsável e leviana, porquanto atua no cumprimento de sua função econômica e social, com razoabilidade e transparência”. “As condições de mercado e o histórico de prejuízos do setor produtivo de arroz justificam reajustes de preços, entretanto, esses fatores não legitimam o absoluto descontrole que se observa diante do grave quadro social de saúde e desemprego atual, com comprometimento da continuidade da atividade industrial e em prejuízo do consumidor.”

Mapa apreende mais de 200 mil litros de defensivos irregulares em São Paulo

Cerca de 212 mil litros de defensivos agrícolas irregulares foram apreendidos em São Paulo durante força-tarefa realizada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) entre os dias 23 e 28 de agosto. Ao todo, 37 empresas foram fiscalizadas nas regiões de Campinas, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. A ação teve como alvo produtos produzidos ilegalmente em empresas importadoras, formuladoras de agrotóxicos químicos e biológicos e fabricantes de fertilizantes, onde foram encontrados hormônios e outras substâncias proibidas ou controladas pelo Mapa. Duas empresas tiveram as atividades interditadas, além de 17 autos de infração lavrados e 122 agrotóxicos fiscalizados. Também foram coletadas amostras fiscais para verificar o controle de qualidade dos defensivos agrícolas produzidos e importados. Ainda foram encontrados 17 mil litros de fertilizantes e 1.480 quilos de suplemento mineral animal que estavam sendo produzidos com substâncias proibidas. Participaram da força-tarefa auditores fiscais federais agropecuários de oito estados. As equipes contaram ainda com o apoio de auditores em home office, auxiliando no trabalho de inteligência.

 NA IMPRENSA

Agência Câmara – Projeto regulamenta atividade de turismo rural

Agência Câmara – Bancos, agronegócio e comércio reivindicam mudanças na reforma tributária

Folha de S.Paulo – Brasil avalia isenção temporária de arroz, milho e soja para impedir aumento da cesta básica

Folha de S.Paulo – Bolsonaro lança o programa Arrenda Brasil

G1 – Mourão sugere que indígenas pressionem Congresso em favor de mineração em suas terras

G1 – Agropecuária foi responsável por 90% da perda de vegetação natural do Brasil, aponta levantamento

G1 – MPF acusa Incra de descumprir acordo para reduzir desmatamento na Amazônia e aciona Justiça Federal

Valor Econômico – Reforma poderá desestimular processamento de grãos

Valor Econômico – CMN reduz juros do Funcafé

Valor Econômico – Comércio de produtos agrícolas resiste à pandemia, confirma OMC

Valor Econômico – Embrapa redesenha aproximação com setor privado

Valor Econômico – Indústrias não encontram arroz a preços razoáveis, diz associação

Valor Econômico – Geada reduz produção de trigo no Sul

Valor Econômico – Katayama aposta em adubo

Valor Econômico – Czarnikow amplia foco de atuação

Valor Econômico – Câmara aprova texto que exclui CPRs em recuperação judicial

Mapa – Ministério da Agricultura atualiza zoneamento agrícola para mamona

Mapa – Governo aprova redução de taxas de juros para setor cafeeiro

Mapa – Projeto para fortalecimento da cadeia da macaúba será implantado na região do Cariri

Mapa – Mapa apreende mais de 200 mil litros de defensivos irregulares em São Paulo

CNA – Aprendizagem rural e empreendedorismo

CNA – Gestão de pessoas e de finanças é primordial para superar instabilidades econômicas e manter o ritmo produtivo em propriedades rurais

CNA – CNA discute impactos da reforma tributária no setor sucroenergético

Embrapa – Atenção com as doenças no trigo

Embrapa – Live aborda papel do melhoramento vegetal para pecuária do futuro

Embrapa – Live discute conservação de etnovariedades de mandioca na Amazônia

Agrolink – Descoberto arábica inédito de alta qualidade

Agrolink – Exportações brasileiras para árabes somam US$ 7 bilhões

Agrolink – Empresa anuncia aprovação regulatória de produto a base de feromônio

Agrolink – Você sabe o que deve considerar no momento do plantio?

Agrolink – Fungo combate cigarrinha-das-pastagens

Agrolink – Feromônio de formigas podem evitar uso de inseticida

Agrolink – Epamig oferece oportunidades de iniciação científica para jovens universitários

Agrolink – Brasil terá aumento de 5,4% na produção de grãos

Agrolink – ZARC para mamona é atualizado

Agrolink – Pragas e seca derrubam girassol

Agrolink – Mercado de defensivos chega a US$ 13,9 bilhões na China

Agrolink – John Deere leva nova plataforma digital para a Expointer

Portal do Agronegócio – Evolução da mecanização agrícola no Brasil será debatida no Painel FonteAgro, dia 1º de setembro

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O Boletim NK, produzido pela NK Consultores Relações Governamentais, é uma compilação das principais notícias publicadas em meios de comunicação do país sobre temas ligados ao setor.

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