Brasil cria primeira regra para IA na medicina: diagnóstico não pode ser automático e paciente poderá recusar uso
O Conselho Federal de Medicina definiu a primeira norma específica sobre o uso de inteligência artificial (IA) na prática médica no Brasil, destacou matéria do portal G1. A resolução, publicada nesta sexta-feira (27) no Diário Oficial da União, estabelece que a tecnologia deve funcionar apenas como ferramenta de apoio — nunca substituindo a decisão clínica do médico. A norma determina, ainda, que a responsabilidade final por diagnósticos, prognósticos e tratamentos continua sendo exclusivamente do profissional. Também proíbe que sistemas de IA comuniquem diagnósticos ou decisões terapêuticas diretamente ao paciente sem mediação humana. A resolução entra em vigor em 180 dias. O texto deixa explícito que a inteligência artificial pode ser utilizada para apoiar decisões clínicas, gestão em saúde, pesquisa e educação médica continuada. No entanto, reforça que: o médico não pode ser obrigado a seguir automaticamente recomendações da IA; a tecnologia não pode restringir a autonomia profissional; a decisão final é sempre humana. A norma afirma ainda que “as soluções apresentadas pelos modelos de IA não são soberanas, sendo obrigatória a supervisão humana”. Um dos pontos centrais é a vedação expressa à delegação da comunicação de diagnósticos à máquina. Além disso, o paciente deve ser informado de forma clara quando a IA for utilizada como apoio relevante em seu cuidado. Ele também poderá recusar o uso da tecnologia. Mesmo utilizando sistemas avançados, o profissional permanece integralmente responsável pelos atos praticados. Também passa a ser obrigatório registrar em prontuário quando a IA for utilizada como apoio à decisão. Para acessar a matéria completa, clique aqui.
PL do Mounjaro desacelera em busca de voto do centrão e médico na relatoria
O projeto que prevê a quebra da patente do Mounjaro, remédio para emagrecimento, deve desacelerar, apesar da urgência aprovada na Câmara, destacou matéria do portal UOL. De acordo com a publicação, a estratégia do autor, o deputado Mário Heringer (PDT-MG), é ganhar o respaldo do centrão, levar o debate para a sociedade e evitar que o texto esfrie no Senado. O texto foi acelerado às vésperas do Carnaval e em tempo recorde. Heringer conta que apresentou o texto, acertou a tramitação com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e, em uma semana, aprovou o regime de urgência. Apesar disso, agora defende não votar o mérito da proposta imediatamente. Motta aconselhou trabalhar com pressão social. Mas, de acordo com o autor, Motta alertou sobre a necessidade de ter tempo para convencer a sociedade. A avaliação é que, se o texto avançar sem pressão social e cair nas mãos de um senador sem o mesmo engajamento, pode ser engavetado e perder força. O relator ainda não foi definido, mas o autor do projeto diz que busca um nome com perfil técnico e político: ’Naturalmente, um médico, que tenha capilaridade e capacidade de defender [o projeto] com bons argumentos’. Heringer citou Dr. Luizinho (PP-RJ), médico e líder de um partido do centrão, como possibilidade. A estratégia agora passa por ampliar o debate. Heringer prepara audiência pública e participações em podcasts para defender a proposta e desfazer resistências, inclusive na indústria farmacêutica. Segundo ele, representantes do setor o procuraram para uma videoconferência, mas ele recusou. Para acessar a matéria completa, clique aqui.
Polilaminina: o que é grupo controle e por que ele é fundamental em estudos clínicos?
A bióloga Tatiana Sampaio, pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e líder dos estudos da polilaminina para lesões medulares, causou polêmica ao admitir, durante entrevista ao programa Roda Viva na segunda-feira, 23, a possibilidade de realizar as fases mais avançadas do estudo clínico da molécula sem o chamado grupo controle, uma prática incomum e não recomendada pela comunidade científica, destacou reportagem do Estado de S. Paulo. A molécula só foi testada em um estudo piloto acadêmico e ainda não passou nem pela fase 1 dos ensaios clínicos. A fala gerou reação de cientistas e médicos nas redes sociais, que destacaram a importância do grupo controle para garantir resultados confiáveis e para proteger os próprios participantes da pesquisa. O grupo controle é um conjunto de participantes de um estudo clínico que, em vez de receber o tratamento em teste, recebe um placebo ou o tratamento padrão existente para aquela doença. O objetivo é comparar os resultados de ambos os grupos ao final do período de acompanhamento para ver se houve desfecho diferente nos que receberam a terapia promissora. Ao final do período de testes, os pesquisadores analisam os resultados dos dois grupos para entender se houve melhores desfechos no grupo que recebeu o fármaco em testes. Se sim, é possível inferir que o produto é eficaz. Sem essa comparação, fica muito mais difícil saber se a melhora no grupo que recebeu o novo medicamento foi realmente causada pela substância, por outros cuidados recebidos ou pela própria evolução natural da doença. Portanto, o grupo controle é tido como fundamental para estabelecer a relação de causalidade, ou seja, qual fator foi o responsável pelo desfecho observado. Para acessar a matéria completa, clique aqui.
Santas Casas se juntam em pesquisa clínica
Quatro meses após a regulamentação de pesquisas clínicas no Brasil, as Santas Casas e hospitais filantrópicos públicos estão se juntando para realizar esses estudos científicos, informou o Valor Econômico. No país, há 1,8 mil desses estabelecimentos de saúde que, conjuntamente, respondem por 62% das cirurgias de alta complexidade e 50% daquelas de média dificuldade realizadas na rede pública de saúde. Considerando uma visão moderada com adoção gradual da nova legislação, a expectativa é que a receita com pesquisas clínicas nas Santas Casas e hospitais filantrópicos praticamente dobre em quatro anos. Em 2026, estima-se algo entre R$ 1,8 bilhão e R$ 2,25 bilhões, saltando para R$ 3,8 bilhões a R$ 4,7 bilhões em 2030, segundo estimativas da consultoria Ekantika. O projeto é liderado pelo médico oncologista Nelson Teich, ministro da Saúde em 2020, em parceria com a Ekantika, que está usando sua plataforma de dados e inteligência artificial nas análises. Um trabalho conjunto das Santas Casas tem grande valor para a pesquisa clínica porque esses hospitais reúnem pacientes do país todo – o Brasil tem a maior diversidade genética do mundo – e os atendimentos médicos são casos de maior complexidade, alvo da indústria farmacêutica que patrocina de 78% a 86% dos ensaios clínicos conduzidos no país. Segundo Mario Cesar Homsi Bernardes, superintendente da Confederação das Santa Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB), o projeto está em fase piloto com a participação de 35 Santas Casas das regiões Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste. No Norte, há negociações em andamento. Para acessar a matéria completa, clique aqui.
Veja outras notícias
Agência câmara
Congresso recebe iluminação especial em apoio ao Dia Mundial das Doenças Raras
Agência câmara
Comissão aprova política com foco nos direitos de idosos com autismo
Agência câmara
Comissão de Saúde aprova proposta de estratégia para cuidado de pessoas idosas
Agência Gov
Nova Indústria Brasil ganha reforço de R$ 70 bilhões para impulsionar a economia
ANS
ANS atualiza Regiões de Saúde consideradas na saúde suplementar
Anvisa
Migração de petições sobre pesquisa clínica para o Solicita começa em 16 de março
CNS
CNS aprova Resolução que prevê Política Nacional de Carreira Única do SUS
CNS
CNS divulga marca e datas atualizadas dos Encontros Estaduais de Saúde
CNN Brasil
Cobertura da vacina contra HPV atinge 95,81% na cidade de São Paulo
Estado de S. Paulo
Câncer de colo do útero avança 14% no Brasil, indicam estimativas
Estado de S. Paulo
Polilaminina: o que é grupo controle e por que ele é fundamental em estudos clínicos?
Futuro da Saúde
Ministério da Saúde amplia investimento em doenças raras com novos serviços e parcerias
Jota
Sob críticas, Ministério da Saúde pactua execução de 40 mil projetos via emendas
Jota
Compras por encomenda tecnológica serão voltadas para dispositivos médicos, vacinas e insumos
Medicina S/A
Reclamações contra planos de saúde caem 13,5% em 2025
O Globo
Opas recomenda reforço da vacinação contra sarampo para a Copa do Mundo de 2026
SEGS
Câncer colorretal: silencioso, evitável e cada vez mais frequente entre brasileiros
Valor Econômico
Santas Casas se juntam em pesquisa clínica
Valor Econômico
Medicamentos nacionais lideram vendas no varejo
UOL
PL do Mounjaro desacelera em busca de voto do centrão e médico na relatoria