BNDES deve fazer aporte de US$ 1 bi para salvar Embraer

//BNDES deve fazer aporte de US$ 1 bi para salvar Embraer
Vinte e seis anos depois da privatização, a Embraer deve passar a ter novamente uma relevante participação estatal. Em ação semelhante à do governo americano na crise de 2008 para salvar a General Motors, o BNDES deverá aportar pelo menos US$ 1 bilhão para comprar ações a serem emitidas pela empresa, o que diluirá participações dos atuais sócios, informou o Valor Econômico nesta segunda-feira (4). A resistência do Ministério da Economia à operação foi vencida, em grande parte, pela proximidade entre o titular da pasta, Paulo Guedes, e o vice-presidente do Conselho de Administração da Embraer, Sergio Eraldo Pinto. Eles foram sócios na Bozano Investimentos, hoje Crescera. Essa relação, que azeitou a decisão do governo de não usar a ação preferencial (“golden share”) para vetar a venda para a Boeing, facilitará também o desenlace agora no sentido inverso. Uma emissão de ações para a venda no mercado de capitais foi descartada em razão da crise. Novas parcerias apenas serão buscadas quando a pandemia estiver superada. A ideia não é que a União, que hoje tem, por meio da BNDESPar, cerca de 5% da companhia, volte a controlá-la. Isso a engessaria na disputa de mercado. A busca é por liquidez para atravessar o fundo do poço da pandemia. O passo seguinte ainda está em aberto. O discurso oficial será o de que a Embraer foi vítima de traição da Boeing e precisa se recuperar para ser vendida. É uma maneira de justificar a contradição com o discurso de campanha de Bolsonaro, que criticava a “caixa preta” do BNDES. Analistas acreditam que o vice-presidente, Hamilton Mourão, depois da pandemia, tentará buscar uma parceria para a Embraer na China, que teria viabilidade duvidosa. Primeiro porque houve stress com o atual governo por causa da covid-19. Depois, porque uma aquisição da China prejudicaria as vendas do cargueiro C-390 Milllenium aos EUA.

Conselho Monetário Nacional (CMN) eleva limite de crédito para associados de cooperativas rurais

As cooperativas rurais de menor porte ganharam mais facilidade para contratarem empréstimos do Programa de Capitalização de Cooperativas Agropecuárias (Procap-Agro). O Conselho Monetário Nacional (CMN) elevou o limite de crédito por associado de R$ 40 mil para R$ 100 mil, destacou a Agência Brasil na última quinta-feira (30). Com a mudança, cada associado poderá pegar até R$ 100 mil emprestados, o que favorece as cooperativas com menos pessoas. O limite de contratação de crédito por cooperativa permanece em R$ 65 milhões. O CMN também autorizou que os agricultores familiares e os produtores rurais médios beneficiados com a linha especial de crédito para custeio criada no início do mês para financiarem a compra antecipada de insumos. Há três semanas, o CMN aprovou duas resoluções que permitem a renegociação de dívidas do crédito rural e criam linhas especiais para produtores afetados pela seca no centro-sul e pela pandemia de covid-19. O Conselho Monetário também ampliou as fontes de recursos para as linhas especiais de custeio. A resolução aprovada no início do mês previa que os bancos poderiam destinar apenas parte dos recursos dos depósitos à vista para emprestarem aos pequenos e médios produtores. Agora, o crédito poderá ter outras fontes de recursos não controlados pelo Banco Central, o que abre caminho para que as instituições financeiras reforcem essas linhas. Em outro voto, o CMN adiou em um ano o prazo para a contratação de linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para cerealistas financiarem investimentos em obras, na expansão da armazenagem de grãos e na compra de máquinas e equipamentos. O prazo original, que iria até 30 de junho deste ano, passou para 30 de junho de 2021. Segundo o Ministério da Economia, a prorrogação ocorreu porque o Congresso tinha alterado a data ao votar a Medida Provisória 897, que instituiu a linha de crédito. Dessa forma, o CMN teve de ajustar a regulamentação.

Exportações do agronegócio em tempo de pandemia

Conforme artigo de Marcio Sette Fortes, diretor da Sociedade Nacional de Agricultura e professor do Ibmec, publicado no jornal O Globo nesta segunda-feira (4), os desdobramentos da crise do coronavírus sobre a economia e, particularmente, sobre o comércio exterior parecem realçar um cenário de enormes oportunidades, embora pontuado por óbices relevantes no agronegócio exportador. Muito embora o uso das políticas fiscal e monetária na reativação das economias seja receituário comum, há de se considerar que o comércio exterior será um fator relevante a impulsionar a recuperação da economia brasileira e global. Ainda que sua importância como indutor do crescimento seja amplamente reconhecida, há contratempos trazidos pela própria crise do coronavírus que podem afetar seus resultados mais plenos. Um desses contratempos se refere à segurança alimentar. Alguns países têm freado a saída de gêneros agrícolas exportáveis em função do abastecimento de seus mercados internos. A Rússia, por exemplo, travou exportações de trigo. Nos Estados Unidos, plantas de carnes industrializadas sofreram reveses, por conta da infecção de funcionários, parando de produzir e sinalizando a possibilidade de desabastecimento interno. Aparentemente, para alguns gêneros agrícolas, excetuando-se o trigo, emerge enorme oportunidade para que o Brasil ocupe canais deixados de lado por seus concorrentes. Mas há enormes riscos no horizonte do agronegócio brasileiro. Comecemos a análise pela soja e pelo milho, cujo volume recorde e a contratação da safra para venda futura soam alvissareiras. Os problemas quanto ao preço começam quando há a perspectiva de safras maiores daqueles dois tipos de grãos nos Estados Unidos, o que deve ser o caso do corrente ano. Para piorar a situação, a guerra de preços entre Arábia Saudita e Rússia, que derrubou o valor do barril de petróleo, criou a tempestade perfeita ao conjugar-se com um cenário de demanda reduzida por combustível em um ambiente de lockdown mundial. A redução no consumo de combustível afeta fortemente a produção de etanol que, nos Estados Unidos, é gerado a partir do milho. Nesse contexto, uma guinada na produção de mais soja e menos milho afetaria diretamente o Brasil. Ademais, não se pode esquecer do acordo comercial entre China e Estados Unidos, que privilegia as exportações dos EUA como nosso concorrente direto. No Brasil, a redução do consumo de combustível e, por consequente, de etanol de cana-de-açúcar, encontra uma esplendorosa safra de cana atual, que deixa os usineiros em situação delicada. O natural endividamento prévio e o desencaixe monetário para a produção poderão  demandar a necessidade de deságio para a execução das vendas, ocasionando uma forte quebra de expectativa no payback da operação. As soluções a serem pleiteadas pelos usineiros são conhecidas e, certamente, envolverão a demanda por incentivos fiscais.

Coronavírus afeta exportações do agro em março

As exportações agropecuárias sentiram o efeito do coronavírus no mês passado. Segundo publicou a coluna Vaivém da Folha de S.Paulo, neste sábado (2), à exceção da soja e seus derivados, os demais itens tiveram comportamento bem inferior ao de fevereiro. Esse efeito veio principalmente da demanda externa. Mesmo assim, as exportações de produtos básicos, onde estão incluídos agropecuária, minério e petróleo, aumentaram para 57% a participação na balança comercial de março, acima dos 54% de igual período de 2019. Isso mostra que, mesmo com a desaceleração, os básicos tiveram desempenho ainda melhor do que os industrializados nas exportações. O setor de carnes foi um dos que perderam força. Dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) desta sexta-feira (1) mostram que o volume médio diário das exportações de carne de frango in natura recuou 14% no mês passado, em relação a fevereiro. A carne suína caiu 11%, e a bovina, 7%. Apesar dessa desaceleração nas exportações de março, as carnes in natura já renderam US$ 3,57 bilhões neste ano, 23% mais do que em igual período do ano passado. O açúcar teve queda de 9% no volume exportado. As receitas do primeiro trimestre, no entanto, estão com evolução de 36% em relação a janeiro-março de 2019. As exportações renderam US$ 1,1 bilhão no trimestre. O grande destaque da balança do mês passado foi o complexo soja. As exportações de grãos atingiram 11,6 milhões de toneladas, o maior volume para os meses de março e o segundo maior na história do país. O volume do mês passado é inferior apenas aos 12,4 milhões de toneladas de maio de 2016, um mês tradicionalmente de volume elevado nas exportações. Daniele Siqueira, da AgRural, diz que o grande volume de março ocorreu devido a atrasos nos embarques de fevereiro. Houve uma demora para a soja chegar aos portos, devido a atraso na colheita. Além disso, chuva e congestionamento de navios nos portos dificultaram os embarques. Os portos da China, devido ao coronavírus, tinham dificuldades nos desembarques. O desempenho fraco durou até a primeira quinzena. Na segunda, houve uma forte aceleração dos embarques. O movimento será intenso também neste mês, uma vez que já está programada a movimentação de 11 milhões de toneladas. O ritmo da colheita provocou atraso também na moagem e no embarque de farelo e de óleo de soja. Os números do mês passado, em relação aos de fevereiro, são impressionantes. As exportações de soja aumentaram 86%, as de farelo, 66%, e as de óleo, 39%. O complexo soja já rendeu US$ 7,6 bilhões no primeiro trimestre, 7% mais do que em 2019. O Brasil deverá exportar de 70 milhões a 73 milhões de toneladas de soja neste ano. O produto, mais uma vez, vai trazer uma boa renda para os produtores. A saca ultrapassou pela primeira vez os R$ 100 nos portos brasileiros. As compras aceleradas da China neste primeiro semestre e o real desvalorizado são os propulsores do complexo soja. No segundo semestre, a China deverá se voltar para as compras nos Estados Unidos, dependendo do resultado da safra dos americanos.

NA IMPRENSA

Valor Econômico – BNDES deve fazer aporte de US$ 1 bi para salvar Embraer

Valor Econômico – Lucro líquido da Illycaffé aumentou 5,2% em 2019

Valor Econômico – Não há decisão sobre medidas de apoio ao setor sucroalcooleiro, diz Ministério da Economia

Valor Econômico – Commodities: Açúcar pega carona no petróleo e sobe quase 6% em NY

Valor Econômico – Commodities: Em dia de poucos negócios, grãos caem em Chicago

Valor Econômico – Açúcar derrete em Nova York; suco continua em alta

Valor Econômico – Minerva confirma entrada no Ibovespa, com participação de 0,22%

Valor Econômico – Cooperativas de Santa Catarina tiveram desempenho recorde em 2019

Valor Econômico – Postos de combustíveis pedem a Bolsonaro que não aceite pedidos de usinas para elevar impostos

Valor Econômico – OMC só deverá decidir conflito do açúcar no ano que vem

Valor Econômico – Oferta encolhe e preço do trigo sobe no país

Folha de S.Paulo – Coronavírus afeta exportações do agro em março

Folha de S.Paulo – Apesar do coronavírus, PIB do agro de SP não será trágico, diz pesquisadora

O Estado de S.Paulo – Mais produtores recorrem à recuperação judicial

O Estado de S.Paulo – Um quarto das usinas do País pode fechar as portas

O Estado de S.Paulo – Pandemia faz produção de flores ir parar no lixo

O Estado de S.Paulo – A produção agrícola resiste à pandemia

Agência Brasil – CMN eleva limite de crédito para associados de cooperativas rurais

CNA – Máscaras a produtores: material doado pelo Sistema FAEMG começa a ser entregue nesta segunda, dia 4

CNA – Com assistência do Senar, horticultor de MS passou a produzir 5 vezes mais

CNA – FAERN/SENAR realiza pesquisa sobre efeitos da pandemia no agronegócio do RN

CNA – Desburocratização de crédito, compras governamentais e reabertura de floriculturas podem amenizar impactos da crise para o produtor rural

CNA – Pandemia: Senar Pernambuco disponibiliza atendimento virtual aos produtores rurais

Mapa – Inscrições para Selo Mais Integridade 2020/2021 são prorrogadas até agosto

Embrapa – Dica de leitura – Emissão de metano em área de arroz irrigado sob sistema pré-germinado

Embrapa – Embrapa divulga estudo sobre tendências e novos desafios do agro com a Covid-19

AgroLink – Lavouras do sul e sudeste foram prejudicadas pela estiagem

AgroLink – Exportação de soja do Brasil supera 14 mi t

AgroLink –  Petrobras exporta recorde de petróleo em abril apesar da crise de demanda global

AgroLink – Métodos de processamento de alimentos permitem maior conservação e disponibilidade durante o ano

AgroLink –  Produção de oleaginosas da Rússia deve aumentar

AgroLink – Produção de farinha dos EUA registra recorde

AgroLink –  Jacto promove feira digital nos dias 06 e 07 de maio

AgroLink – A importância da rotação de agrotóxicos

AgroLink –  Epamig testa matéria prima para melhoria da qualidade do húmus disponível no mercado

AgroLink –  Colheita do arroz se aproxima do fim no RS

O Globo – Artigo: Exportações do agronegócio em tempo de pandemia

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O Boletim NK, produzido pela NK Consultores Relações Governamentais, é uma compilação das principais notícias publicadas em meios de comunicação do país sobre temas ligados ao setor.

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