Acordo sobre glifosato levou Bayer a prejuízo de 9,5 bilhões de euros no 2º trimestre

//Acordo sobre glifosato levou Bayer a prejuízo de 9,5 bilhões de euros no 2º trimestre
A alemã Bayer registrou prejuízo líquido de 9,5 bilhões de euros no segundo trimestre deste ano, ante lucro de 404 milhões de euros no mesmo período de 2019, informou o Valor Econômico nesta terça-feira (4). Segundo a companhia, o resultado é consequência do acordo judicial assinado em junho nos Estados Unidos para solucionar os processos contra o herbicida Roundup, produzido a partir do glifosato e herdado da compra da americana Monsanto. A pandemia também afetou o resultado. A empresa assinou em junho um acordo que soma de US$ 8,8 bilhões a US$ 9,6 bilhões para resolver mais de 125 mil ações judiciais contra o herbicida nos EUA. Os demandantes acusam o produto de causar câncer. As vendas da Crop Science, divisão agroquímica da empresa, cresceram 3,2% em relação ao segundo trimestre de 2019, para 4,8 bilhões de euros (com ajuste cambial). América Latina, Ásia/Pacífico e América do Norte contribuíram positivamente para o resultado. No total, as vendas da Bayer caíram 2,5% na comparação, para 10,1 bilhões de euros. Na Crop Science, a área de traits e sementes de milho cresceu 2,7%, principalmente devido ao significativo volume de vendas no Brasil. A divisão de herbicidas registrou avanço anual de 3,3%, graças às boas vendas antecipadas na América Latina e à comercialização substancial na América do Norte. A divisão de traits e sementes de soja teve desempenho muito superior ao das demais áreas da Crop Science, com elevação de 9,3% nas vendas, diz a Bayer. A alta foi motivada pelo avanço da área de plantio na América do Norte, com compras antecipadas devido às incertezas com o coronavírus. Na América Latina, o resultado também foi positivo, disse a empresa, em nota. A vendas da divisão de inseticidas cresceram 4,5%, com ganhos na América Latina e Ásia e Pacífico. Em contrapartida, os resultados da divisão de sementes vegetais foram negativos em 5%, principalmente em razão de uma queda nas vendas da América do Norte. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da Crop Science avançou 28,4%, para 1,37 bilhão de euros. “O aumento ocorreu principalmente devido à realização acelerada de sinergias de custos, à medida que a Bayer progride com a integração dos negócios adquiridos da Monsanto, bem como a volumes mais altos.”

Recuperação judicial de produtor rural ainda provoca controvérsia

A recuperação judicial de produtores rurais pessoas físicas continua gerando controvérsias no setor produtivo e instigando a busca por uma solução definitiva entre juristas e magistrados. O caminho nessa direção, contudo, ainda parece longo, destacou o Valor Econômico nesta terça-feira (4). Segundo o ex-ministro da Agricultura Blairo Maggi, acionista da Amaggi – maior trading de grãos de capital nacional -, parte do problema deriva da existência de uma “indústria” de pedidos de RJ incentivada por advogados em Mato Grosso. Em evento virtual promovido pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), Blairo afirmou que, enquanto alguns produtores enfrentam problemas e recorrem à ferramenta para proteger os negócios, outros estão enriquecendo de forma ilícita com a “relativização” feita nos processos na Justiça das garantias oferecidas sobretudo nos financiamentos obtidos junto a tradings. Para o ex-ministro, a situação causa “temor” e “intranquilidade” no setor. Alguns advogados, disse, chegam a participar de feiras agropecuárias para oferecer o serviço de recuperação judicial a produtores. Priscila Camargo, sócia do escritório Ernesto Borges Advogados, disse que o cenário é de “total relativização das garantias” nos processos de recuperação judicial de produtores pessoas físicas, sobretudo CPRs (Cédulas de Produto Rural) e alienação fiduciária de bens e imóveis. No mesmo evento, ela defendeu a criação de uma lei específica para RJs no agronegócio como forma de proteger os financiamentos do setor. “Garantias que davam solidez para a relação se desmontam da noite para o dia. O mercado de crédito não atua nesse formato”. Já a juíza da Vara Especializada em Falência e Recuperação Judicial de Cuiabá (MT), Anglizey Solivan de Oliveira, sugeriu a criação de regras detalhadas para o acesso dos agricultores ao sistema de insolvência com mudanças na lei 11.101/2005, que trata de recuperações judiciais de forma geral. A medida já esteve em debate no Congresso, mas não avançou por causa da pandemia. “Também devemos pensar na criação de câmaras privadas para a solução de litígios do agro. Nos EUA, 95% das demandas são resolvidas fora do judiciário”, destacou. Para ela, o modelo pode gerar economia ao Poder Judiciário e maior cumprimento das medidas consensuadas entre as partes privadas. O Valor já informou que o número de RJs no campo pode dobrar neste ano em função da crise. Conforme projeção do escritório ERS Consultoria e Advocacia, o número de pedidos poderá se aproximar de 400. Na mesma linha, a desembargadora Marilsen Addário, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, reforçou que é preciso cautela na aplicação do instrumento para não gerar um “aproveitamento indevido” de alguns empresários. Ela afirmou que já identificou aumento ilícito de patrimônio em diversos pedidos de RJ – não só no agronegócio. Blairo Maggi disse, ainda, que o sistema oficial de crédito protege quem teve perdas na produção por causa de problemas climáticos, por meio do Manual do Crédito Rural, e que a prática também é aplicada por financiadores privados – que hoje respondem por 70% do “funding” do setor no país. Segundo ele, não há crise generalizada no agronegócio que justifique tantos pedidos de RJ.

Mais de 90% da polinização do açaí é realizada por abelhas da Amazônia

Nesta terça-feira (4), o Mapa informou que, as abelhas nativas são os principais polinizadores do açaí (Euterpe oleracea). É o que afirma um estudo que acaba de ser publicado na revista científica Neotropical Entomology pela Embrapa em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA) e Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA). O trabalho mostra que elas representam mais de 90% do trabalho de polinização nas flores da palmeira e são mais eficientes no transporte do pólen que os outros insetos, o que impacta diretamente na cadeia produtiva do açaí. O estudo foi realizado em oito áreas nos municípios paraenses de Barcarena e Abaetetuba. Foram analisadas quatro áreas manejadas de açaí de várzea e outras quatro de plantios em terra firme. Nos locais, foram coletados insetos de 74 espécies diferentes que visitaram as flores da palmeira. Autora principal do artigo, a agrônoma da UFRA Leilane Bezerra conta que ao estudar o número de grãos de pólen de açaí transportados pelos insetos, a equipe descobriu que as abelhas nativas são o grupo de polinizadores mais eficaz. De acordo com a bióloga Márcia Maués, pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental (PA), coautora do trabalho, até agora cientistas sabiam pouco sobre o percentual das contribuições dos diferentes grupos de insetos à polinização do açaí. Esse conhecimento, segundo ela, é fundamental para embasar recomendações aos agricultores sobre a polinização e manejo de polinizadores dessa palmeira tão importante para a economia do Pará e do Brasil. A pesquisa analisou todos os visitantes da palmeira durante a fase feminina, cujo período é de quatro a oito dias, no período de maior floração da palmeira, entre março e junho. Isso, segundo Maués, serviu para facilitar a identificação dos potenciais polinizadores, “pois apenas os insetos que transferem pólen para as flores femininas podem polinizar”, detalha. O primeiro resultado encontrado pelos cientistas foi que mais da metade (51%) dos 596 insetos visitantes coletados na palmeira são abelhas nativas. As abelhas sem ferrão representam 38%; as moscas são 16%; outras abelhas (solitárias e em sua maioria nativas) somam 13%; vespas, 12%; formigas, 8%; e 6% são besouros. Ela explica que o açaí é uma espécie que depende de polinização cruzada entre flores masculinas e femininas em diferentes palmeiras. Ao buscarem alimento, os insetos carregam o pólen das flores masculinas para as femininas e é nesta última que acontece a polinização. “Todos são insetos visitantes, mas uns são coletores e outros, polinizadores. Nosso estudo focou no segundo grupo”, complementa. A etapa seguinte foi quantificar os grãos de pólen presentes no corpo de cada inseto, o que a pesquisa chama de carga polínica. Essa atividade revelou a média de dois grãos por animal, pois em 25% deles não foi detectado pólen. “Porém, encontramos abelhas solitárias que carregavam até cinco mil grãos de pólen em seu corpo. Era como se tivesse mergulhada em farinha”, compara o biólogo Alistair Campbell, pesquisador visitante em atuação na Embrapa Amazônia Oriental. O estudo comprovou que as abelhas nativas representam mais de 90% da polinização do açaí, e entre elas estão as sem ferrão (60%) e as solitárias (35%). Das quatro espécies nativas que se destacaram na carga polínica e abundância nas flores, duas são abelhas solitárias dos gêneros Augochloropsis e Dialictus; e outras duas espécies sem ferrão do gênero Trigona, a arapuá (Trigona branneri Cockerell) e a olho-de-vidro (Trigona pallens Fabricius). As abelhas sem ferrão apresentaram ainda vantagens em relação às solitárias, como afirma Campbell. “Elas visitam com mais frequência as flores, quase sempre carregam pólen e possuem colônias mais populosas. São as espécies mais consistentes na polinização do açaí e podem ser criadas e manejadas”, detalha. O cálculo feito pelos cientistas considerou carga polínica e a frequência de visitas.

EUA propõe registro de novo herbicida contra resistência

A Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos está propondo o registro de um novo herbicida para auxiliar no manejo da resistência. O produto em questão é o tiafenacil para o uso em pré e pós-emergência em milho, algodão, soja e trigo. De acordo com publicação do portal AgroLink desta terça-feira (4), os usos propostos de pós emergência incluem corte direto nas uvas, corte em áreas de pousio e não-colheita e como dessecante na colheita de algodão, sendo que não há usos residenciais para tiafenacil propostos nesta decisão. Espera-se que o tiafenacil seja útil no manejo da resistência a herbicidas, já que ele fornece uma alternativa para controlar o caruru resistente ao glifosato no algodão, suprimir a marestail resistente ao glifosato no milho e na soja e controlar o cânhamo no milho e na soja. A necessidade de ferramentas adicionais, como o tiafenacil, para gerenciar essas ervas daninhas resistentes está crescendo, pois, a resistência a herbicidas apresenta um problema financeiro, de produção e de controle de pragas para os produtores em todo o país. A EPA avaliou o tiafenacil para registro em soja, milho e algodão como um trabalho da Agência Reguladora de Gerenciamento de Pesticidas do Canadá (PMRA), com as duas agências realizando avaliações separadas e depois compartilhando resultados. O banco de dados para tiafenacil indica que o produto químico é geralmente de baixo risco para organismos não-alvo, exceto plantas, portanto, a maioria das medidas de mitigação trata de evitar o contato com plantas não-alvo. Nenhuma outra redução substancial de risco foi considerada necessária para os usos propostos.

NA IMPRENSA

Agência Câmara – Parlamentares buscam fontes de financiamento para destravar a Lei de Resíduos Sólidos, que completa 10 anos

Agência Câmara – Proposta aumenta pena para crime de incêndio em mata ou floresta

Folha de S.Paulo – Agenda ambiental ideológica atrapalha agroindústria brasileira, diz Huck

Folha de S.Paulo – Furacão Isaias provoca inundações na costa leste dos EUA; veja fotos de hoje

O Estado de S.Paulo – ONGs dizem ao STF que governo federal tenta enfraquecer proteção da Mata Atlântica

O Estado de S.Paulo – Balança comercial do Brasil tem superávit de US$ 8 bilhões em julho

G1 – 71% das queimadas em imóveis rurais neste ano na Amazônia ocorreram para manejo agropecuário, diz IPAM

G1 – Autoridades da Argentina monitoram ao menos 6 nuvens de gafanhotos

G1 – Indústrias do agro defendem que Brasil atenda exigências ambientais de países compradores

Valor Econômico – Custo do “prato feito” consumido em casa subiu quase 4% em São Paulo entre janeiro e junho

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Valor Econômico – Embora cautelosa, SLC cresce movida pela alta dos grãos

Valor Econômico – Recuperação judicial de produtor rural ainda provoca controvérsia

Valor Econômico – Críticas ambientais levam setor produtivo a cobrar governo

Valor Econômico – Exportações brasileiras de açúcar para o Canadá cresceram no 1º semestre

Valor Econômico – Cade aprova aquisição, pela Seara, de negócios de margarinas e maioneses da Bunge

Embrapa – Programa Terra Sul aborda pesquisa para resgate de parentes silvestres de batata

Embrapa – Embrapa alerta que ações de monitoramento e controle do percevejo bronzeado devem ser constantes

Embrapa – Publicação apresenta fatores que influenciam produtores paulistas na adoção de sistemas integrados

Embrapa – Coletânea de biografias resgata história da pesquisa agropecuária na Amazônia

CNA – Produtor não precisa cancelar DAP para acessar Pronamp

CNA – Projeto Modernização e Gestão da Informação do Sistema FAEMG: fase 2 da pesquisa quer ouvir 25 mil produtores

CNA – Etanol se consolida com vantagens econômicas e ao meio ambiente no Brasil

CNA – CNA debate alternativas de exportação indireta

Mapa – Mais de 90% da polinização do açaí é realizada por abelhas da Amazônia

Mapa – Projeto Monitor do Seguro Rural irá avaliar grupo de oito frutas

AgroLink – Por dentro da safra: agosto é um mês de muitas tarefas

AgroLink – Quarentena provoca alta de 4% no custo da alimentação em casa

AgroLink – GO: governo de prepara operacionalização do Plano de Aquisição de Alimentos Estadual (PAA)

AgroLink – “Produtividade alta é você entender sua lavoura”

AgroLink – Ourofino Agrociência fomenta conhecimento técnico entre os agricultores

AgroLink – EsalqTec anuncia seu primeiro Webinar

AgroLink – Máquinas inteligentes são aposta de marca

AgroLink – Quinta nuvem de gafanhotos avança na Argentina

AgroLink – ABAG neutraliza emissões de gases de efeito estufa

AgroLink – EUA propõe registro de novo herbicida contra resistência

AgroLink – Exportações agrícolas da Índia podem atingir US$ 70 bilhões
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O Boletim NK, produzido pela NK Consultores Relações Governamentais, é uma compilação das principais notícias publicadas em meios de comunicação do país sobre temas ligados ao setor.

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